O Vale do Juruá em foco na capital francesa
O fotógrafo Paulo Henrique da Silva Costa, natural de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, prepara-se para apresentar em Paris o fotolivro Raízes do Juruá: retratos da Amazônia acreana. A obra reúne imagens que revelam a riqueza cultural e os modos de vida da região, oferecendo um olhar interno sobre o território amazônico.
A viagem acontecerá entre os dias 8 e 18 de novembro, graças à Bolsa Funarte de Mobilidade Artística Internacional, concedida pela Fundação Nacional de Artes (Funarte). Essa iniciativa permitirá que Paulo Henrique apresente a produção artística acreana para um público internacional, ampliando a visibilidade da região.
Uma perspectiva autêntica da Amazônia acreana
O projeto busca revelar o Vale do Juruá sob a ótica de quem vive ali, valorizando suas histórias, tradições e identidades culturais. Paulo Henrique destaca que o fotolivro é um convite para conhecer o Acre além dos estereótipos comuns sobre a Amazônia.
“É um convite especial para conhecer o Acre a partir de quem vive aqui, para além das imagens que costumam circular sobre a Amazônia”, explica o fotógrafo. A proposta é mostrar uma Amazônia retratada por seus próprios moradores, com atenção às experiências cotidianas e às particularidades culturais da região. “É um olhar de dentro da floresta. Não é um olhar exótico como as pessoas que vêm de fora acham”, complementa.
Agenda cultural em Paris e circulação internacional
A programação começa no dia 10 de novembro na Initial Labo, em Boulogne-Billancourt, região metropolitana de Paris. No dia seguinte, o fotolivro será apresentado na Livraria Sabiá Arte e Cultura, considerada a primeira livraria 100% brasileira na capital francesa.
Leia também: Fotógrafo Acreano Recria Vídeo Viral da Rocinha, Destacando a Beleza de Rio Branco
Leia também: Exposição “Zona de Sacrifício” revela impactos da mineração de lítio no Vale do Jequitinhonha no Rio
Fonte: agazetadorio.com.br
Além dos lançamentos, Paulo Henrique planeja visitar exposições e participar do Paris Photo, evento internacional dedicado à fotografia. Para ele, a circulação da obra na França é uma oportunidade de ampliar o alcance das histórias e da produção artística do Acre no cenário cultural mundial.
“Levar o livro a Paris é uma forma de ampliar a circulação das histórias do Acre e afirmar que a produção artística da Amazônia acreana tem autoria, pensamento e lugar nos espaços internacionais de cultura”, afirma.
Reconhecimento e desafios na trajetória
O fotógrafo também espera que as imagens aproximem o público estrangeiro de uma região pouco conhecida internacionalmente. “O público internacional talvez não conheça o Vale do Juruá, mas pode se aproximar dele por meio das histórias e das experiências que aparecem nas imagens”, destaca.
O fotolivro já foi lançado em Cruzeiro do Sul, onde Paulo Henrique mora, em agosto, e na região metropolitana de São Paulo, em outubro. A publicação foi viabilizada por meio da Política Nacional Aldir Blanc no Acre, via Fundação Elias Mansour (FEM).
Leia também: Governo do Ceará Lança 3º Edital de Bolsas Para Mobilidade Formativa: Oportunidades Transformadoras
Fonte: odiariodorio.com.br
Recentemente, Paulo Henrique conquistou o primeiro lugar na categoria fotojornalismo do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente, promovido em Brasília. A premiação foi por um trabalho que registrou extremos climáticos na região de Cruzeiro do Sul, evidenciando os impactos sobre o território e sua população.
Embora também tenha o Acre como cenário, Raízes do Juruá traz uma proposta distinta do trabalho premiado, ao destacar a diversidade cultural e as experiências diárias dos moradores do Vale do Juruá, em contraponto ao foco nos efeitos da crise climática.
Para os próximos anos, Paulo Henrique pretende seguir ampliando a circulação de seus trabalhos e levar novas imagens da Amazônia acreana a outros países, mesmo diante dos desafios financeiros para produção e divulgação de projetos independentes.
“Meu sonho é seguir fotografando o lugar onde vivo, aprofundar esse trabalho e contribuir para que a Amazônia acreana seja reconhecida também pela produção artística e intelectual de quem vive nela”, conclui.
