Endividamento no Acre: 38,4% das famílias estão com contas em atraso
Uma recente pesquisa revelou que, em fevereiro, mais de 100 mil famílias no Acre acumulavam dívidas, com 38,4% delas apresentando contas em atraso há mais de 30 dias, totalizando 50.915 famílias. Os dados, coletados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), evidenciam um cenário preocupante para a população acreana.
Embora o número de famílias que relatam não ter condições de quitar suas dívidas tenha diminuído, passando de 15.392 em janeiro para 14.662 em fevereiro (uma redução de 4,98%), a situação ainda é alarmante. Isso indica que, mesmo com uma leve melhora, muitas famílias continuam lutando contra o endividamento.
Outro dado significativo é que o comprometimento da renda das famílias endividadas permanece em 31,7%, percentual superior ao registrado em 2025. Essa pressão financeira é mais intensa entre as famílias que recebem até 10 salários mínimos, com especial concentração entre aquelas que têm uma renda inferior a cinco salários mínimos. Para as famílias que ganham acima de 10 salários mínimos, o comprometimento da renda é de 28,1%.
Egídio Garó, assessor da presidência da Fecomércio-AC, destaca que o consumo das famílias é impactado pela escassez de crédito e pela elevação da taxa Selic, que deve se manter alta por um período prolongado. “As dificuldades são evidentes, mas mesmo assim, as famílias acabam consumindo mais do que realmente precisam. Existe uma melhora no poder aquisitivo que impulsiona o consumo, mas muitas famílias, especialmente aquelas com renda de até cinco salários mínimos, têm utilizado o crédito de maneira excessiva para adquirir produtos não duráveis, parcelando suas compras. Essa prática torna o planejamento financeiro doméstico mais complexo, o que pode levar a um endividamento ainda mais acentuado”, afirmou Garó.
Os números da pesquisa mostram que 80,2% das famílias brasileiras estavam endividadas em fevereiro, um recorde histórico. Dentro desse grupo, 29,6% apresentam dívidas atrasadas há mais de 30 dias, enquanto 12,6% afirmam não ter como quitar suas pendências financeiras, o que as classifica como inadimplentes. Embora essa última porcentagem seja inferior ao que foi observado em janeiro, ainda revela um panorama desafiador para muitas famílias brasileiras.
