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    Home»Política»Márdhia El-Shawwa é Exonerada da Secretaria da Mulher do Acre Após Três Anos de Mandato
    Márdhia El-Shawwa é Exonerada da Secretaria da Mulher do Acre Após Três Anos de Mandato

    Márdhia El-Shawwa é Exonerada da Secretaria da Mulher do Acre Após Três Anos de Mandato

    Política 07/04/2026
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    Exoneração e Desafios na Gestão

    A delegada Márdhia El-Shawwa foi destituída do cargo de secretária da Mulher do Acre (Semulher) nesta terça-feira, dia 7. A confirmação veio da própria gestora em entrevista à Rede Amazônica Acre, embora a informação ainda não conste no Diário Oficial do Estado (DOE). Márdhia não se manifestou sobre a decisão, relatando apenas que foi informada da exoneração por Jonathan Santiago, chefe de gabinete da governadora Mailza Assis, do Progressistas. A Rede Amazônica e o g1 buscaram informações junto à Secretaria Estadual de Comunicação (Secom) sobre quem assumirá a pasta, e aguardam retorno.

    Márdhia estava à frente da Semulher desde março de 2023, quando a secretaria foi recriada no segundo mandato do governador Gladson Cameli, também do Progressistas. Durante sua gestão, ela enfrentou um cenário alarmante de feminicídios no estado, o que gerou críticas e um clamor por políticas públicas mais efetivas.

    Polêmica em Torno de Denúncias de Estupro

    Em fevereiro deste ano, a delegada se pronunciou após declarações do ex-técnico do Vasco-AC, Eric Rodrigues, sobre denúncias de estupro cometidas por atletas do clube dentro do alojamento em Rio Branco. Suas falas, veiculadas em programas de TV locais, ganharam grande repercussão após a prisão de um dos jogadores e a decretação de prisão temporária de outros três envolvidos no caso.

    A Semulher emitiu uma nota em resposta às declarações de Rodrigues, afirmando que suas palavras desqualificaram o trabalho técnico e ético da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). O texto ressaltou que questionar a seriedade dos profissionais de segurança pública é um desserviço à Justiça, além de minar a confiança nas instituições e contribuir para a perpetuação da impunidade em casos de violência contra a mulher.

    Baixa Execução de Recursos Federais para Políticas Públicas

    Um relatório da Controladoria Geral da União (CGU) revelou que o Acre recebeu aproximadamente R$ 12 milhões em recursos federais entre os anos de 2023 e 2025 para implementar políticas de combate à violência contra a mulher. Contudo, a execução de apenas 20% desse montante foi constatada, com menos de R$ 2,4 milhões utilizados em três anos. O CGU apresentou esses dados à Semulher em uma reunião realizada na última sexta-feira, dia 6.

    A Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp) comentou que os números divulgados correspondem apenas às despesas efetivamente realizadas, não incluindo valores empenhados em contratos em vigor e aprovisionados em processos administrativos. Segundo a pasta, a execução real das ações é mais abrangente, pois contempla também etapas financeiras em andamento.

    Taxa de Feminicídios e Necessidade de Ação

    O Acre se destaca negativamente por possuir a maior taxa de feminicídios do Brasil, com 14 casos registrados em 2025, o que equivale a 1,58 feminicídios para cada 100 mil habitantes, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Este número coloca o estado à frente de Amapá e Roraima. Comparando com 2024, quando foram contabilizados apenas oito feminicídios, o Acre observou um aumento alarmante de 75% nos casos.

    O panorama de violência contra a mulher no Acre evidencia a urgência de políticas públicas efetivas para proporcionar proteção e segurança. A estudante Elizadora Ribeiro expressou a preocupação da população: ‘Não temos segurança para andar na rua. O máximo que recebemos são panfletos ou palestras, mas quando nos deparamos com uma rua escura, não temos para onde correr. Há uma carência imensa nesse sentido’.

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