Entendendo o Cenário da Obesidade no Brasil
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, em parceria com a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, revelou que cerca de 59% da população brasileira enfrenta problemas de sobrepeso. Contudo, apenas 11% dos entrevistados procuraram um diagnóstico formal para essa condição, conforme aponta o estudo intitulado “Meu Peso, Minha Jornada”, divulgado pela revista Veja.
Diante desse contexto, muitos indivíduos buscam orientação profissional para identificar a melhor solução para o emagrecimento, considerando principalmente duas abordagens: o emagrecimento clínico e a cirurgia bariátrica. O Dr. Julio de Luca, um especialista em obesidade e tratamentos relacionados, enfatiza que a escolha entre essas opções não deve se basear apenas no peso ou no Índice de Massa Corporal (IMC) isoladamente.
Critérios para a Escolha do Tratamento
O especialista explica que é fundamental a análise de um conjunto de critérios clínicos e metabólicos. Isso inclui a verificação de doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono e níveis elevados de colesterol. Além disso, o histórico de tentativas anteriores de emagrecimento, a resposta a tratamentos clínicos, a idade metabólica e o impacto da obesidade na qualidade de vida e bem-estar do paciente são fatores cruciais para essa avaliação.
O Dr. Julio de Luca destaca que também deve ser observado o padrão de ganho de peso ao longo da vida e a disposição do paciente para aderir ao tratamento. “Muitos apresentam boa resposta ao acompanhamento clínico, utilizando, por exemplo, medicamentos injetáveis como a tirzepatida. Por outro lado, há aqueles que, mesmo com esforço e disciplina, não conseguem alcançar o controle metabólico desejado, o que torna a cirurgia uma opção viável”, explica.
A cirurgia bariátrica e seu papel
É importante salientar que a cirurgia bariátrica é indicada em casos de doenças metabólicas bem estabelecidas que não respondem ao tratamento clínico isoladamente. O Dr. Julio de Luca aponta que fatores como diabetes difícil de controlar, doenças do refluxo severas e apneia do sono, quando associados à obesidade e a um histórico de tentativas frustradas de emagrecimento, são determinantes nessa decisão.
Importância do Pré-operatório
O pré-operatório é considerado uma etapa essencial do tratamento bariátrico, que vai além do simples requisito cirúrgico. Este processo envolve avaliações clínicas detalhadas, realização de exames, acompanhamento nutricional e psicológico, além de orientações específicas para o paciente.
“Essa fase é vital para garantir que o paciente esteja fisicamente apto e emocionalmente preparado para as mudanças que ocorrerão, minimizando riscos e aumentando as chances de sucesso em longo prazo”, complementa o médico.
Desafios e Resultados do Emagrecimento
A manutenção do peso perdido a longo prazo é um dos maiores desafios enfrentados comumente por aqueles que emagrecem, especialmente por meio de dietas restritivas. De acordo com o estudo internacional “Dukan e Depois?”, citado pelo portal GShow, 75% das pessoas que optam por dietas restritivas acabam recuperando o peso perdido.
Os resultados esperados de cada abordagem, seja clínica ou cirúrgica, variam em termos de tempo, magnitude e impacto metabólico. O Dr. Julio de Luca destaca que é importante discutir essas diferenças durante a avaliação. Enquanto o tratamento clínico pode levar a uma perda gradual de até 24% do peso inicial, a cirurgia bariátrica tende a resultar em uma perda mais rápida e significativa, proporcionando uma melhora metabólica antes mesmo da grande redução de peso.
A Mudança de Estilo de Vida como Pilar Central
Um aspecto central em qualquer tratamento para obesidade é a mudança de estilo de vida. Isso inclui a adoção de uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física, o cuidado com a saúde emocional e, especialmente, o acompanhamento médico contínuo, que são essenciais tanto no tratamento clínico quanto na cirurgia.
Apesar disso, um estudo do Instituto de Pesquisas Ideafix, que entrevistou 800 mulheres, revelou que cerca de metade das pessoas não se esforça para atingir o peso desejado. Ademais, mesmo quando o empenho existe, os resultados muitas vezes não são satisfatórios, levando ao conhecido efeito sanfona.
A Importância da Avaliação Individualizada
De acordo com o Dr. Julio de Luca, a avaliação para determinar quais pacientes podem alcançar resultados positivos com acompanhamento clínico e quais necessitam de cirurgia deve ser sempre individualizada. Este processo inclui uma escuta minuciosa da história do paciente, análise de exames laboratoriais, avaliação da composição corporal e uma análise do estado metabólico, comportamental e emocional.
Por fim, o Dr. Julio de Luca ressalta que mais do que escolher entre uma abordagem clínica ou cirúrgica, é fundamental que o paciente receba acolhimento e seja guiado por uma equipe capacitada. “Quando o tratamento é individualizado, fundamentado em evidências científicas e focado na saúde e qualidade de vida, os resultados se tornam mais consistentes e sustentáveis”, conclui.
