Queda nos Números de Dengue no Brasil
Os dados mais recentes sobre a dengue em 2025 revelam uma queda significativa no número de casos em todo o Brasil, em comparação ao ano anterior. Entretanto, a situação ainda exige atenção, especialmente em estados do Norte, onde o Acre se destaca com uma das maiores incidências da doença. De acordo com informações do Ministério da Saúde, o Brasil registrou até agora 1.637.501 casos prováveis de dengue em 2025, além de 1.747 óbitos, com 193 deles ainda sob investigação. O coeficiente de incidência nacional foi de 770,3 casos para cada 100 mil habitantes, um índice consideravelmente menor do que o registrado em 2024, que foi um dos piores anos para a doença na história recente do país.
Para se ter uma ideia da gravidade da situação em 2024, foram contabilizados 6.563.561 casos prováveis e 6.321 mortes, resultando em um coeficiente de incidência de 3.087,05. Embora a letalidade em casos prováveis tenha apresentado um leve aumento, passando de 0,10% para 0,11%, a taxa entre os casos graves caiu de 5,94% para 4,95%. Esses dados, portanto, refletem uma melhora geral na situação, mas ressaltam a necessidade de atenção contínua.
Acre: Alta Incidência de Dengue
Apesar da redução nacional nos números, o Acre se destaca negativamente, ocupando o terceiro lugar em incidência de dengue no Brasil, com um coeficiente de 1.034. Apenas São Paulo, com 1.965,1, e Goiás, com 1.401,3, têm taxas superiores. No total, o estado contabiliza 9.106 casos prováveis de dengue em 2025, registrando cinco óbitos confirmados. A taxa de letalidade em casos prováveis no Acre é de 0,05%, enquanto que em casos graves chega a alarmantes 6,41%, superando a média nacional.
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre), o Acre já ultrapassou 7,5 mil infecções confirmadas neste ano. Comparando com 2024, quando o estado registrou cerca de 5 mil casos e apenas um óbito, a situação atual é preocupante. A pasta confirmou os cinco óbitos já divulgados pelo Ministério da Saúde, o que evidencia a gravidade da situação no estado.
Cidades com Maior Número de Casos
Os cinco óbitos registrados no Acre ocorreram nas cidades onde a doença tem se concentrado com maior intensidade:
- Rio Branco: 3.718 casos e um óbito
- Cruzeiro do Sul: 2.945 casos e dois óbitos
- Feijó: 632 casos
- Tarauacá: 296 casos e um óbito
- Mâncio Lima: 225 casos e um óbito
Em 2024, a situação era bem diferente: o Acre contabilizou 6.263 casos prováveis, com apenas um óbito. Naquela época, Rio Branco tinha 1.240 casos, enquanto Cruzeiro do Sul registrou 1.261 casos, mas sem mortes.
Perfil dos Casos e Prevenção
Os dados deste ano indicam que 56% das infecções no Acre acometeram mulheres e 46% homens. A faixa etária mais afetada foi a de 20 a 29 anos, com 879 homens e 1.105 mulheres infectados, demonstrando um maior impacto sobre a população economicamente ativa. Esses números ressaltam a importância de estratégias de prevenção, como a vacinação.
No âmbito da prevenção, o Brasil está ampliando a vacinação contra a dengue. Em outubro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou a China para consolidar uma parceria com a WuXi Biologics, o que permitirá a produção em larga escala da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan. O governo federal espera que a Anvisa aprove o registro da vacina 100% brasileira até o final do ano, possibilitando a produção de 40 milhões de doses ou mais a partir de 2026, configurando o maior programa de imunização contra a dengue no país.
A vacinação, que começou em 2024, prioriza crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em 2.752 municípios com maior risco. O Brasil foi pioneiro ao oferecer esse imunizante no sistema público de saúde. Até outubro de 2025, mais de 10,3 milhões de doses já foram distribuídas aos estados e outras 9 milhões estão previstas para 2026, oferecendo esperança na luta contra essa doença.
