Desafios no Sistema de Alertas de Enchente
A enchente do Rio Acre já desabrigou mais de 400 pessoas em Rio Branco até esta terça-feira (29). De acordo com informações da prefeitura e do governo estadual, 411 cidadãos estão acomodados em sete abrigos, que foram montados em escolas e centros culturais da cidade. Às 12h, o nível do rio alcançou 15,37 metros, evidenciando a gravidade da situação.
O tenente-coronel Claudio Falcão, coordenador da Defesa Civil na capital, comentou sobre os desafios do sistema de alertas, que, até agora, foi testado em duas ocasiões, mas ainda enfrenta limitação na eficácia do envio de notificações. “O ‘Defesa Civil Alerta’ não é controlado por um único órgão; requer a colaboração das defesas civis municipais, estaduais e nacionais para funcionar adequadamente”, explicou Falcão.
Ele enfatizou que o sistema não é automatizado, demandando equipes dedicadas para sua operação, o que pode comprometer outras áreas de atendimento emergencial. “Não conseguimos atender a todos simultaneamente. O sistema não é eletrônico e precisa de equipes exclusivas. Se nos dedicarmos a isso, deixaremos de atender a população”, destacou o coordenador.
Monitoramento e Logística às Margens do Rio
Falcão ressaltou que, enquanto a atuação do município é mais intensa nos bairros e nos abrigos, a estrutura para um monitoramento contínuo é muitas vezes insuficiente, especialmente em áreas sem sistemas eletrônicos. Toda a logística, segundo ele, depende de inspeções presenciais. “As equipes de Defesa Civil do município são operacionais. Estamos nas comunidades, nos abrigos, e, às vezes, não temos tempo suficiente para o monitoramento, especialmente em pontos como igarapés, que não contam com monitoramento eletrônico”, acrescentou.
Atualmente, a Defesa Civil informa que Rio Branco possui cerca de 230 bairros, dos quais 43 foram diretamente afetados por alagamentos até esta terça-feira. As equipes operam em 19 dessas áreas. O comandante também alertou sobre os riscos do envio indiscriminado de mensagens de alerta, que poderiam resultar em pânico na população. “Se emitirmos um alerta sem controle, isso vai soar nos 230 bairros e gerará um estado de pânico. Além disso, poderíamos perder credibilidade. Isso não deve ocorrer”, comentou.
A Necessidade de Integração
Apesar das limitações do sistema, Falcão reconheceu a importância de um alerta eficaz e defendeu uma maior colaboração entre os diferentes níveis de governo. “Precisamos de um maior empenho, tanto da Defesa Civil estadual quanto da nacional, para que possamos ter as condições necessárias para emitir alertas, que são vitais para toda a comunidade de Rio Branco”, concluiu.
Enchente Inusitada em Dezembro
No último sábado (27), o Rio Acre superou a cota de transbordo, um dia após atingir a cota de atenção, que é de 10 metros. Às 11h desta segunda-feira (29), o rio chegou a 15,37 metros. A cota de alerta máximo é estabelecida em 14 metros. Este é o segundo evento de transbordo em menos de um ano, já que o rio também ultrapassou essa marca em março. Desde 1975, o Rio Acre não transbordava em dezembro na capital.
De acordo com a Defesa Civil estadual, a elevação do nível do rio está relacionada às chuvas intensas que ocorreram na capital entre quinta (25) e sexta (26), além da alta no nível do Riozinho do Rola, um de seus afluentes.
