Uma Paixão que Floresce no Solo Acreano
O brilho nos olhos ao observar os pés de café na lavoura revela mais do que uma simples ocupação; é a paixão de Clara Santos, uma produtora rural que se redescobriu em meio a milhares de ‘filhos’ que brotam do solo. No Ramal do Canil, próximo a Rio Branco, Clara tece uma narrativa de amor pela produção rural, enraizada em memórias familiares e a vontade de cultivar. Formada em contabilidade e com uma carreira sólida, ela nunca conseguiu se desvincular de suas raízes rurais, sempre cercada pela natureza e pela dedicação do pai à agricultura.
Na propriedade familiar, que já produziu diversas culturas como pecuária, mandioca e leite, Clara sentia que faltava algo. O verdadeiro ‘clique’ aconteceu quando ela foi apresentada à cultura do café, que atualmente vive um expressivo crescimento no Acre. Dados recentes mostram um impressionante aumento de 115,4% na produção de café, saltando de 3.079 toneladas em dezembro de 2024 para 6.632 toneladas em dezembro de 2025.
“A curiosidade surgiu quando amigos comentaram sobre o preço do café, que estava bastante elevado. Fiquei impactada e decidi experimentar plantar um pedaço de terra para entender como tudo funcionava”, relata Clara. O que começou como um experimento rapidamente se transformou em uma paixão avassaladora.
Ao plantar os primeiros pés, Clara se encantou com a cafeicultura e se viu envolvida em cada etapa do processo. “Eu não tinha conhecimento sobre o cultivo, mas logo percebi que não era só plantar e irrigar. Essa experiência se tornou um verdadeiro casamento com a terra, e não consigo imaginar minha vida sem isso”, afirma, enquanto observa suas lavouras de café.
Um Crescimento Acelerado e Sustentável
Mesmo antes de colher sua primeira safra, Clara ampliou sua área de plantio para 12 mil pés de café, destacando a importância do cultivo em áreas degradadas. “Não precisei desmatar; usei uma área que já havia sido destinada à pecuária e apenas a adaptei para o café”, explica. A assistência técnica, oferecida pela Secretaria de Agricultura, tem sido fundamental nesse percurso. Clara destaca que o apoio recebido foi além do que esperava e foi crucial para sua jornada na cafeicultura.
“Nunca imaginei que o estado oferecia tanto apoio. Desde a preparação do solo até as orientações para a colheita, a assistência técnica foi indispensável. A Michelma me apoiou desde o início, e isso fez toda a diferença”, enfatiza Clara. Michelma Lima, engenheira agrônoma e coordenadora do Núcleo de Cafeicultura da Seagri, reafirma que o Acre possui condições ideais para o cultivo do café. “Aqui, temos o clima e o solo apropriados, além de uma demanda crescente. O café não é apenas um negócio; ele transforma vidas”, diz ela.
Valorização da Qualidade e do Conhecimento
Com o crescimento da cafeicultura, a conscientização sobre boas práticas tem sido um ponto crucial. “Estamos investindo na qualidade do café, e os produtores precisam entender a importância das boas práticas desde a colheita até o pós-colheita. O café especial do Acre já é reconhecido no Brasil e no exterior pela sua qualidade”, explica Michelma.
A secretária de Agricultura do Acre, Temyllis Silva, complementa que o governo tem investido em capacitação para os agricultores. “Os resultados demonstram que este investimento foi acertado. O café tem mudado vidas e mostrado que é possível ter uma agricultura de qualidade que respeita o meio ambiente e melhora a vida dos produtores”, afirma.
Clara Santos é um exemplo vivo desse novo cenário. Para ela, seus pés de café são como filhos. “É emocionante ver como eles crescem. Quando parecem doentes, sinto que preciso cuidar deles como se fossem parte da minha família”, compartilha Clara, que agora tem 12 mil motivos para se apaixonar cada vez mais pela cafeicultura. “É surpreendente como essa experiência me tocou. A cada dia que passa, mais me encanto por esse mundo do café.”
