A Proximidade com o Pacífico como Vantagem Competitiva
Um recente estudo intitulado “Da fronteira ao Pacífico: o Acre no corredor comercial andino”, elaborado pelo Fórum Empresarial do Acre em parceria com o Sebrae, revelou que o estado se destaca pela sua localização estratégica junto ao Pacífico e a fronteira com os mercados do Peru e da Bolívia. Esses países são responsáveis por cerca de 99,12% do fluxo comercial do Acre com a região andina entre 2019 e 2025. Individualmente, o Peru concentra 79,98% do total, enquanto a Bolívia responde por 19,15%. Essa realidade evidencia a transformação da relação comercial do Acre, que deixou de ser marginal para adquirir um papel significativo na economia local.
Avanços e Desafios no Setor Exportador
Assurbanipal Mesquita, secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre (Seict), atribui esse crescimento às ações estruturantes implementadas pelo governo. O agronegócio, especialmente a produção de milho e soja, tem sido um pilar fundamental para a formação de cadeias industriais exportadoras. Mesquita destaca exemplos como a Dom Porquito, que consome essas matérias-primas locais, reduzindo custos operacionais.
Além disso, o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf-AC) contribuiu significativamente, garantindo ao estado a certificação internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação. Essa conquista atraiu o interesse de mercados internacionais, como demonstrado pela recente missão das Filipinas ao estado para credenciamento de indústrias locais.
Promoção Comercial e Investimentos em Logística
O secretário também mencionou as iniciativas de promoção comercial da Seict, que incluem participação em feiras internacionais e rodadas de negócios. Essas ações, combinadas com incentivos fiscais, já resultaram em mais de R$ 400 milhões em investimentos privados.
No entanto, a logística continua sendo um desafio considerável. Mesquita enfatiza a necessidade de melhorar a infraestrutura portuária e alfandegária, além de concluir obras como o anel viário de Brasileia, atualmente sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Ele ainda destacou que, nesta semana, o governo está se envolvendo em uma missão para explorar modelos de alfândega integrada que podem otimizar custos e tempo nas operações comerciais.
Rota Estratégica para o Comércio Exterior
A BR-317 é uma importante via que conecta o Acre ao Pacífico, ligando Rio Branco a Assis Brasil e integrando o estado à malha rodoviária peruana. A BR-364 organiza o fluxo interno, facilitando a conexão entre a capital e os municípios do leste, além de apoiar os corredores de exportação.
Apesar de o Acre ainda concentrar sua pauta exportadora em produtos como proteína animal, soja e castanha in natura, há uma perspectiva de diversificação planejada para 2026. O governo estadual está realizando diagnósticos para identificar indústrias com potencial exportador e auxiliá-las na regularização e certificação de produtos como açaí e café, que podem incrementar a participação de pequenas indústrias no comércio exterior.
Consolidação do Mercado Acreano no Cenário Andino
Após um período de instabilidade até 2023, o comércio do Acre mostrou um crescimento substancial em 2024, especialmente nas exportações. Embora a participação do estado no comércio brasileiro com o Peru e a Bolívia ainda seja pequena, ela tem se mostrado consistente em setores específicos, principalmente no mercado peruano.
Os produtos que mais se destacam nas exportações acreanas incluem carnes suínas e castanhas, além de milho em grão e preparações para alimentação animal. Embora a concentração atual das exportações represente um risco frente a oscilações de preços e demanda, o Acre está cada vez mais se consolidando no comércio andino, com um espaço significativo para crescimento.
Rumo a um Hub Logístico no Brasil
O estudo conclui que, embora o Acre já esteja inserido no comércio andino, o estado tem um vasto potencial inexplorado. O fortalecimento das cadeias produtivas, associado à melhoria da infraestrutura logística, pode posicionar o Acre como um elo estratégico entre o Brasil e o Pacífico. Mesquita finaliza afirmando: “Vamos concentrar esforços na implantação de empresas importadoras, criando oportunidades reais para o comércio acreano e ampliando os negócios, o que é uma grande chance de geração de renda.”
