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    Crescimento das Exportações do Acre: A Integração com o Mercado Andino

    Crescimento das Exportações do Acre: A Integração com o Mercado Andino

    Economia 11/04/2026
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    Aproveitando a Proximidade Geográfica

    Recentemente, o estudo intitulado “Da fronteira ao Pacífico: o Acre no corredor comercial andino”, elaborado pelo Fórum Empresarial do Acre com o apoio do Sebrae, revelou importantes informações sobre a posição do estado no comércio exterior. O relatório, finalizado em março, destaca a vantagem estratégica do Acre em virtude de sua proximidade com o Pacífico e sua fronteira direta com dois grandes mercados, Peru e Bolívia, que são fundamentais para as exportações da região.

    A pesquisa indica que, embora a localização geográfica do Acre ofereça um potencial para integração comercial, este benefício só se concretiza quando há rotas viárias eficientes, operações aduaneiras confiáveis e uma capacidade exportadora sólida. De 2019 a 2025, os dois países andinos foram responsáveis por impressionantes 99,12% do fluxo comercial do Acre, com o Peru liderando com 79,98% e a Bolívia com 19,15%. Este cenário evidencia uma transformação dessa relação, que deixou de ser periférica para se estabelecer como um pilar na economia local.

    Avanços no Agronegócio e Reconhecimento Internacional

    O secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre (Seict), Assurbanipal Mesquita, atribui o aumento nas exportações a uma série de medidas estruturais implementadas pelo governo estadual. Um dos principais fatores que contribuíram para esse crescimento foi o fortalecimento do agronegócio. O estado viu uma expansão na produção de milho e soja e, mais recentemente, um avanço na cultura do café e outras plantações.

    “Essas matérias-primas são essenciais para viabilizar cadeias industriais exportadoras, como a de proteína suína. A empresa Dom Porquito, por exemplo, utiliza milho e soja locais, o que reduz seus custos de produção”, ressaltou Mesquita.

    Outro ponto destacado pelo secretário foi o trabalho realizado pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf-AC), que garantiu ao estado a certificação internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação, um reconhecimento concedido a apenas cinco estados brasileiros. “Esse status colocou o Acre no mapa global da proteína animal, atraindo o interesse de diversos países. Recentemente, uma missão das Filipinas visitou o estado para conhecer e credenciar nossas indústrias”, acrescentou.

    Desafios Logísticos e Incentivos Comerciais

    Apesar do crescimento nas exportações, a logística continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelo Acre. O secretário mencionou a necessidade de aprimorar o uso do Porto de Xangai, melhorar a infraestrutura das alfândegas e concluir o anel viário de Brasileia, que é uma obra sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). “Atualmente, estamos participando de uma missão para conhecer um modelo de alfândega integrada que pode otimizar custos e reduzir o tempo de operação”, informou.

    A BR-317 é a principal rota que conecta o Acre ao Pacífico, ligando Rio Branco a Assis Brasil e, a partir de Iñapari, integrando o estado à rede rodoviária peruana. Por outro lado, a BR-364 organiza o fluxo interno, sustentando a conexão entre a capital e os municípios do leste, além de facilitar os corredores de exportação.

    Perspectivas Futuras e Diversificação das Exportações

    Embora as exportações do Acre sejam majoritariamente concentradas em proteína animal, soja e castanha in natura, o secretário Mesquita declarou que a diversificação das exportações será uma prioridade em 2026. “Estamos começando um diagnóstico para identificar indústrias com potencial exportador e apoiá-las na regularização e certificação. Produtos como açaí, mandioca, farinha, itens da biodiversidade e o próprio café têm grande potencial para incrementar a participação de pequenas empresas no comércio exterior”, explicou.

    O Acre também possui o potencial de se tornar um hub logístico para a importação de produtos asiáticos. “Estamos capacitando empresas e comerciantes para que possam aproveitar oportunidades de compra no mercado internacional e revenda no Brasil. O Polo Logístico é uma parte essencial dessa estratégia”, concluiu o secretário.

    Um Mercado em Ascensão

    Após um período de variações nas exportações até 2023, o fluxo comercial do Acre mostrou uma recuperação e se mantém em níveis elevados em 2024, com destaque para as exportações. Apesar de a participação do estado ainda ser modesta no cenário nacional, ela cresce de forma constante, especialmente em nichos específicos, especialmente no mercado peruano.

    Além das carnes suínas e da castanha, as exportações também incluem milho em grão, pernis suínos congelados, preparações para alimentação animal e outros itens menos volumosos. Mesmo com esse progresso, a concentração continua alta, o que torna o desempenho do Acre vulnerável a oscilações de preços, demanda e desafios logísticos.

    Na relação comercial com o Peru, as cadeias de castanha e carne suína são predominantes, enquanto com a Bolívia, a castanha também é um produto-chave, embora em menor escala e dentro de uma pauta mais fragmentada. O estudo conclui que, apesar de já estar inserido no comércio andino, o Acre ainda possui amplas oportunidades de crescimento. O fortalecimento das cadeias produtivas, aliado à melhoria na logística e na infraestrutura, poderá transformar o estado em um elo estratégico entre o Brasil e o Pacífico.

    “Estamos direcionando esforços para a instalação de empresas importadoras. Esta é uma oportunidade real para o comércio acreano. Queremos transformar o Acre em uma porta de entrada de produtos importados para o Brasil, permitindo que nossos empreendedores lucrem e ampliem seus negócios”, finalizou o secretário.

    agronegócio crescimento das exportações do Acre Integração Logística mercado andino

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