Cooperação Técnica para Avançar em Saúde e Biodiversidade
O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), firmou, nesta sexta-feira (10), um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Este pacto representa um passo significativo na consolidação de uma parceria que já existe há anos, com o intuito de unir esforços em ações de pesquisa, ensino e inovação referentes às unidades de conservação no estado.
O acordo estabelece uma colaboração técnico-científica entre as duas instituições, focando em ações para minimizar emergências em saúde pública e seus efeitos tanto na saúde humana quanto animal, além de promover a conservação da biodiversidade. A iniciativa se concentrará, especialmente, nas áreas protegidas sob a gestão da Sema. A base dessa cooperação é o Planejamento Integrado de Saúde e Conservação em Unidades de Conservação: Prevenção de Zoonoses e Monitoramento Ambiental (SEPIA), que irá orientar o plano de trabalho em conjunto.
Um dos principais objetivos da parceria é criar subsídios técnicos e orientações que contribuam para a formulação de políticas públicas voltadas à conservação ambiental e à saúde das comunidades que habitam nas unidades de conservação e áreas adjacentes.
Leonardo Carvalho, secretário de Estado do Meio Ambiente, destacou a importância da cooperação, que ele considera uma agenda estratégica já solidificada para o Acre. Carvalho enfatizou a intenção de ampliar a colaboração com a Fiocruz e outros parceiros governamentais, como a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) e a Fundação Hospitalar do Acre (Fundhacre). “É importante avançarmos com essas ações, como já foi feito no Parque Chandless, e em futuras atividades em outras unidades da Sema, onde podemos analisar a biodiversidade e os desafios de saúde que surgem com as mudanças climáticas”, afirmou o secretário.
A Importância da Parceria para o Acre
A diretora do Instituto Oswaldo Cruz, Tania Cremonini de Araújo-Jorge, sublinhou a relevância da formalização do acordo, que não só proporciona segurança institucional, mas também impulsiona a produção técnica no estado. Para ela, o Acre possui um grande potencial e está cada vez mais se destacando na diversidade e qualidade de pesquisas, além de ser um espaço frutífero para a formação de novos cientistas.
Durante a assinatura do acordo, o pesquisador Paulo Sérgio D’Andrea, que coordena o projeto e atua na direção do IOC para ações na Amazônia, comentou que esta parceria vem sendo desenvolvida e aprimorada ao longo de mais de uma década. Ele ressaltou que a formalização representa um avanço crucial para expandir as ações conjuntas em saúde e conservação, especialmente nas unidades de conservação do Acre.
“Este acordo abrange ações nas áreas de saúde e conservação da natureza. Estamos desenvolvendo um projeto de saúde única focado nas unidades de conservação do estado, que está sob a gestão da Secretaria de Estado do Meio Ambiente”, explicou Paulo.
Ele também mencionou que as ações do projeto se concentram em zoonoses, doenças que são transmitidas de animais para humanos, com o Parque Estadual Chandless sendo a primeira unidade a ser beneficiada. As ações incluem a investigação da presença de patógenos em animais silvestres, aqueles utilizados para subsistência, assim como em populações humanas, cães e vetores de transmissão, visando entender a circulação das doenças na natureza e subsidiar ações de prevenção.
“O impacto do projeto é direto na saúde da população, especialmente para as comunidades tradicionais e povos indígenas que residem nas unidades de conservação, além de contribuir para a conservação das espécies”, afirmou D’Andrea.
O plano de trabalho do acordo estipula que a Fiocruz será responsável pela coordenação científica das atividades, além de desenvolver metodologias de pesquisa e capacitações em áreas como saúde única, mudanças climáticas e biossegurança. Por sua vez, a Sema deverá prestar apoio logístico e operacional, articular com as comunidades locais e elaborar, em parceria com a Fiocruz, projetos para captação de recursos. A vigência da cooperação será de 60 meses.
A cerimônia de assinatura do acordo também contou com a presença de representantes de diversas instituições parceiras, como Sesacre, Fundhacre, Instituto Federal do Acre (Ifac), Universidade Federal do Acre (Ufac), SOS Amazônia, e outros envolvidos nas áreas de pesquisa, saúde pública e conservação ambiental, ressaltando a natureza interinstitucional da iniciativa.
