Cheia do Rio Acre e o Impacto nas Famílias
Na manhã desta terça-feira (30), o Rio Acre apresentou uma leve redução em seu nível, medindo 15,35 metros em Rio Branco, segundo dados da Defesa Civil Municipal. Esse índice representa um recuo de 6 centímetros em comparação à medição anterior, realizada na noite de segunda-feira (29), quando o rio atingiu 15,41 metros. O tenente-coronel Cláudio Falcão, coordenador da Defesa Civil, ressaltou que, apesar da diminuição, a situação ainda é considerada instável e o recuo do nível do rio é tímido. “Estamos observando uma estabilização após o início da vazante, mas seguimos monitorando continuamente”, afirmou.
Infelizmente, a realidade para muitas famílias é alarmante. O número de desabrigados subiu de 141 para 153 nas últimas 24 horas. De acordo com os últimos dados do governo, aproximadamente 443 pessoas foram forçadas a deixar suas casas e estão abrigadas em estruturas montadas pela gestão municipal e pelo estado. Além disso, um total de 216 famílias foi considerado desalojado, com 138 delas solicitando ajuda oficial para a remoção e outras 78 buscando abrigo em casas de parentes ou amigos.
Enchente Atípica em Dezembro
O fenômeno das cheias em Rio Branco é histórico, uma vez que não se registrava uma situação semelhante em dezembro há 50 anos. De acordo com um levantamento do governo, 88 famílias desalojadas, totalizando 315 pessoas, estão acolhidas em abrigos e na casa de familiares. Para apoiar essas comunidades, várias secretarias, incluindo Direitos Humanos, Saúde, Educação e Meio Ambiente, estão mobilizadas, assim como as polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros.
As famílias abrigadas estão distribuídas em diversas escolas e centros públicos da cidade, tais como o Centro Cultural Mestre Caboquinho, que abriga o maior número de desabrigados, além de várias escolas municipais e estaduais. Nessas estruturas, os moradores têm acesso a alimentação, serviços de saúde e suporte social, enquanto a Defesa Civil se prepara para possíveis novas remoções, caso o nível do rio volte a crescer.
Chuvas Intensas Prejudicam a Região
Até o último domingo (28), a capital acreana acumulou 483 milímetros de chuvas, um número que supera em 97% a média esperada de 265 milímetros para o mês. Essa quantidade de chuvas, somada às fortes precipitações que ocorreram entre quinta (25) e sexta-feira (26), causou estragos significativos em várias regiões de Rio Branco. No sábado, o Rio Acre subiu 3,84 metros em menos de 24 horas, ultrapassando a cota de transbordo de 14 metros.
O tenente-coronel Falcão destaca que o Rio Acre vem sendo monitorado desde 1970 e, até hoje, a única vez em que houve um transbordamento semelhante em dezembro foi em 1975. “É uma situação crítica e estamos atentos para proteger a população”, concluiu.
Decreto de Emergência e Ações Governamentais
Em resposta à gravidade da situação, a Prefeitura de Rio Branco e o governo do Acre declararam situação de emergência na última segunda-feira (29). O decreto municipal nº 1.212, datado de 14 de março de 2025, considera a cheia do Rio Acre, que já resultou no deslocamento de mais de 400 pessoas.
Além disso, um decreto do governo estadual reconheceu a emergência de nível 2 em cinco municípios: Rio Branco, Feijó, Plácido de Castro, Santa Rosa do Purus e Tarauacá. A governadora em exercício, Mailza Assis (PP), destacou que as chuvas em Brasiléia ultrapassaram em 82% a média esperada para dezembro, com um total de 436,80 mm.
Essas medidas têm validade de 180 dias e visam facilitar a adoção de ações emergenciais e o acesso a recursos que atendam as comunidades afetadas pelas cheias.
