Gladson Cameli Enfrenta Consequências Severas
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou, na quarta-feira, 6 de maio, o ex-governador do Acre, Gladson Cameli, do Partido Progressista (PP), a uma pena de 25 anos e 9 meses de prisão em regime fechado. Cameli foi considerado culpado por diversos crimes, incluindo corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato e fraudes em licitações. A condenação se origina de um esquema que resultou em um prejuízo de R$ 11,7 milhões aos cofres públicos do estado.
É importante ressaltar que a pena ainda não será cumprida de imediato, já que Cameli pode recorrer da decisão. O ex-governador ocupou o cargo por dois mandatos e renunciou em abril deste ano para tentar uma vaga no Senado.
Fraude na Contratação de Construtora
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), Gladson Cameli teria participado ativamente de um esquema fraudulento envolvendo a contratação da construtora Murano Construções, supostamente ligada ao seu irmão, para obras viárias no Acre. O contrato, que foi firmado em 2019 com a Secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano do Acre, inicialmente previa a manutenção de prédios públicos, mas acabou sendo ampliado para incluir grandes obras viárias.
Logo após a assinatura do contrato, a construtora Murano estabeleceu uma sociedade com uma empresa do irmão do ex-governador, o que levantou suspeitas. O MPF alega que a Murano atuou como intermediária para desviar recursos financeiros em benefício de Cameli e sua família, através de superfaturamento e sobrepreço nos serviços prestados.
Desvios Milionários e Estrutura Criminosa
O montante pago à construtora, conforme apontado pelo MPF, foi superior em mais de 50% ao valor originalmente contratado. O dinheiro desviado teria sido usado para beneficiar os membros da organização criminosa, sendo alocado na compra de imóveis e veículos de luxo. Além disso, outras empresas da família de Cameli foram utilizadas para dificultar o rastreamento dos recursos.
A investigação revelou que o grupo operava de forma estruturada, contando com a ajuda de agentes públicos que foram indicados pelo ex-governador. O julgamento de Cameli foi acompanhado por oito ministros do STJ, que seguiram o voto da relatora, ministra Nancy Andrighi. A ação penal faz parte das Operações Ptolomeu e Murano, que investigaram suspeitas de corrupção em contratos do governo do Acre.
Condenação e Multa de Indenização
Além da pena de prisão, Gladson Cameli também foi condenado a pagar uma multa de R$ 11,7 milhões, referente aos crimes cometidos. O caso começou a ser julgado no final do ano anterior, mas foi suspenso após um pedido de vista do ministro João Otávio de Noronha.
Reação do Ex-Governador
Em suas redes sociais, Gladson Cameli se manifestou sobre a condenação, afirmando ter recebido a decisão do STJ com serenidade. Ele declarou: “Compreendo o rito jurídico da Corte e é com base nesse respeito que, no exercício democrático do direito, recorrerei da decisão à instância superior — o Supremo Tribunal Federal.” Cameli expressou confiança na justiça, ressaltando que a atual etapa do processo não altera sua determinação de representar os interesses dos cidadãos acreanos. “Ninguém pode ganhar no tapetão”, concluiu, reforçando a importância do respeito ao voto popular.
