Tebet se Prepara para Disputar o Senado em São Paulo
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, filiada ao MDB, está prestes a mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo, onde deverá disputar uma vaga no Senado. Em uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os dois discutiram a possibilidade de Tebet concorrer em uma chapa que também contaria com Fernando Haddad, atual ministro da Fazenda, na corrida pelo governo do estado. Ao mesmo tempo, Marina Silva, atual ministra do Meio Ambiente e integrante da Rede, manifestou sua disposição em concorrer ao Senado, ressaltando seu engajamento em um projeto eleitoral que a reposicione em um cenário político que considera crucial.
Tebet e Lula se encontraram durante uma viagem ao Panamá para participar do Fórum Econômico Internacional do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF). A ministra tem um prazo até 4 de abril para efetuar a transferência de seu título eleitoral do Mato Grosso do Sul, onde já foi senadora, para São Paulo.
Possibilidade de Troca de Partido e Impasses no MDB
Ainda não está claro se Tebet mudará de partido, uma vez que recebeu convites para deixar o MDB e se juntar ao PSB. No entanto, lideranças do PT em São Paulo ainda alimentam a expectativa de que ela possa concorrer pelo MDB. Contudo, o partido está alinhado com a estratégia de reeleição do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, que também desempenhou um papel importante na eleição do prefeito da capital, Ricardo Nunes. Essa aliança foi consolidada com o apoio do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi.
Em um evento realizado na última sexta-feira, Tebet foi questionada sobre a mudança de domicílio. Ela confirmou os diálogos com o presidente, afirmando: “Deixo o Ministério do Planejamento até o dia 30 de março ou quando o presidente definir, já que ele acredita que minha candidatura é importante”. A ministra também ressaltou a sua intenção de discutir a candidatura ao Senado, deixando claro que ainda não há definição.
Desafios Políticos e Apostas Para o Futuro
Em conversas com o entorno de Lula, há uma avaliação de que a mudança para São Paulo não é apenas uma estratégia eleitoral, mas também uma necessidade, considerando o cenário político desfavorável para Tebet em seu estado natal. No Mato Grosso do Sul, o MDB participa do governo de Eduardo Riedel, que se afastou do PSDB e se aproximou de figuras ligadas ao bolsonarismo. Após o apoio a Lula no segundo turno das eleições de 2022, a imagem da ministra no estado sofreu desgastes, especialmente considerando que Bolsonaro teve um desempenho superior ao do petista.
Além disso, em São Paulo, o cenário eleitoral ainda não está totalmente definido. Embora Haddad tenha demonstrado resistência em se posicionar publicamente sobre a candidatura ao governo, há uma expectativa de que ele ceda às pressões tanto do presidente quanto do PT, que já foram externadas por figuras como o ministro da Educação, Camilo Santana, e a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
Tebet acredita que tanto Haddad quanto o vice-presidente Geraldo Alckmin são nomes relevantes para a disputa, afirmando que ambos têm potencial para avançar para um segundo turno. “Esse é apenas um ponto de vista pessoal”, esclareceu.
Marina Silva Também em Busca de Oportunidades Políticas
Enquanto isso, Marina Silva agendou um encontro com Lula para discutir seu futuro político e como pode contribuir para a construção eleitoral em São Paulo. A ministra considera deixar a Rede e está em negociações para um possível retorno ao PT. Na sexta-feira, ela se reuniu com dirigentes do PV, conforme noticiado por colunistas.
Ela também mencionou estar em contato com diversos partidos, incluindo o PT, com quem teve uma conversa positiva com o presidente da sigla, Edinho Silva. “Estou avaliando as propostas que recebo de diferentes legendas”, completou.
