Boulos Critica Falta de Autoridades do Acre em Evento Federal
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), teceu críticas contundentes à ausência da governadora do Acre, Mailza Assis (PP), e do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, na abertura da 15ª edição do Governo do Brasil na Rua. O evento, realizado no Centro da Juventude, no bairro Cidade Nova, tinha como objetivo a oferta de serviços públicos gratuitos, mas contou com a falta de participação dos líderes locais, que, segundo Boulos, haviam sido convidados oficialmente.
De acordo com o ministro, a ação, que é vista por muitos como uma antecipação de campanha eleitoral, não teve o impacto esperado no Acre, resultando em um evento com baixo comparecimento. A edição do Governo do Brasil na Rua ofereceu atendimentos de 11 ministérios, incluindo emissão de documentos, vacinação e assistência jurídica, mas a ausência de figuras políticas de destaque gerou questionamentos.
Boulos criticou a falta de comprometimento dos gestores locais e afirmou que o evento deveria ser uma oportunidade para apresentar “políticas públicas concretas” à população acreana. “Nós não viemos aqui para fazer campanha eleitoral porque nem pode neste momento. Viemos aqui para apresentar políticas públicas para o povo do Acre”, destacou.
Quando questionado sobre a ausência da governadora e do prefeito, Boulos foi incisivo: “Tem gente que faz política com ‘P’ maiúsculo. Política com ‘P’ maiúsculo é para atender o povo. Tem gente que prefere fazer politicagem”, declarou, evidenciando um tom de descontentamento em relação à postura dos políticos locais. Em sua visão, a falta de comparecimento deles a um evento tão significativo para a população é inaceitável.
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A Invisibilidade dos Recursos Federais
Durante o evento, Boulos também abordou o que ele considera uma tentativa de invisibilização dos investimentos da União no Acre. O ministro afirmou que algumas obras financiadas pelo governo federal estavam sendo apresentadas como iniciativas locais, o que, segundo ele, é uma prática enganosa. “O que não pode é mentir e não reconhecer. A pior coisa é governante eleito fazer caridade com o chapéu alheio”, criticou.
A postura dos gestores locais, segundo Boulos, pode prejudicar futuras parcerias e fechar portas para novos investimentos no estado, levantando preocupações sobre o impacto negativo dessa falta de reconhecimento. O cenário atual no Acre é marcado por uma mudança poderosa na política, onde o PT, uma vez hegemônico, enfrenta novos desafios e precisa se reposicionar em um cenário onde já não dita as regras.
O Declínio do PT no Acre
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O Acre está vivenciando um momento de transição política, onde o partido dos trabalhadores, que dominou a política regional por décadas, enfrenta um declínio acentuado. A fragmentação do cenário político permite a ascensão de novas forças conservadoras, desafiando a antiga hegemonia do PT. O desgaste político, a falta de conexão com as bases sociais e a incapacidade de renovação de lideranças têm contribuído para essa nova realidade.
Historicamente, o PT teve uma influência significativa no Acre, moldando alianças e controlando estruturas administrativas. Contudo, com o tempo, esta influência começou a se esvair, dando lugar a uma competição mais acirrada e a uma nova configuração política. O resultado é um estado onde as antigas certezas se desvanecem e novas vozes emergem, buscando espaço na arena política.
Rejeição de Jorge Messias e Elogios a Jorge Viana
Boulos também se manifestou sobre a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), considerando o episódio um reflexo da “aliança entre bolsonarismo e chantagem política”. “O Senado sai menor desse episódio lamentável”, lamentou o ministro em uma publicação na plataforma X.
No evento, o ex-governador Jorge Viana (PT) esteve presente e foi elogiado por Boulos, que ressaltou a importância de ter representantes com “prestígio político em Brasília”. O ministro reforçou que seu compromisso com o Acre transcende questões partidárias, sublinhando que o governo federal está focado em atender às necessidades da população.
A passagem de Guilherme Boulos por Rio Branco evidencia as tensões entre o governo federal e as administrações local e estadual. A crítica à ausência de autoridades durante um evento importante reflete um cenário de politicagem, que, segundo Boulos, deve ser superado em prol da entrega de serviços à população, priorizando o bem-estar coletivo sobre disputas partidárias.
Assim, o Acre segue sua trajetória política, buscando uma nova identidade em meio a um cenário em transformação, e o PT, apesar de suas raízes profundas na região, começa a se questionar sobre seu futuro em um ambiente onde as regras do jogo mudaram radicalmente.
