Encontro em Manaus sobre Vigilância do Feminicídio
A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) marcou presença, na última sexta-feira (6), no Seminário Amazônico sobre Vigilância Inteligente do Feminicídio, realizado no Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em Manaus. O evento reuniu especialistas, gestores públicos e representantes de instituições da Amazônia Legal com o objetivo de elaborar estratégias para o monitoramento, análise de dados e fortalecimento das políticas de combate à violência de gênero.
A programação do seminário foi ampla, abordando temas como as estimativas de feminicídio na Amazônia Ocidental, os fatores de risco que contribuem para a violência contra as mulheres e as experiências de vigilância implementadas em diferentes estados do Brasil. O evento também foi um espaço para a apresentação de projetos de pesquisa e iniciativas voltadas à produção de dados que ajudem no desenvolvimento de ações preventivas.
O Acre foi representado por Jhonatan Paiva, coordenador estadual do Núcleo de Saúde do Homem da Sesacre, que enfatizou a relevância do setor de saúde na identificação e no atendimento a casos de violência. “A saúde desempenha um papel crucial na detecção precoce de situações de violência, no acolhimento, na escuta qualificada e no cuidado integral das mulheres, além da notificação dos casos. Frequentemente, os serviços de saúde são o primeiro ponto de contato para as vítimas, contribuindo para interromper ciclos de violência e prevenir desfechos trágicos como o feminicídio”, destacou Paiva.
Ele ainda salientou que as unidades básicas de saúde, os serviços de urgência e os hospitais são os primeiros locais que as mulheres em situação de violência frequentemente buscam. Para garantir um atendimento eficaz, a capacitação das equipes é essencial, de modo a assegurar que as vítimas recebam o suporte necessário e sejam encaminhadas adequadamente para outros serviços de proteção.
Desafios e Soluções na Vigilância da Violência de Gênero
Os especialistas presentes no seminário debateram a urgência de aprimorar os sistemas de informação e a importância de fortalecer as notificações obrigatórias de casos de violência nos serviços de saúde. “Um dos pontos principais discutidos foi a fragmentação dos bancos de dados e a baixa interoperabilidade dos sistemas de informação em saúde, como o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Essa fragmentação impacta diretamente a qualidade das informações coletadas e a análise dos casos de violência”, explicou Paiva.
Além disso, o seminário também abordou a utilização de ferramentas tecnológicas, como análise de dados, inteligência artificial e geoprocessamento, para melhorar o monitoramento da violência de gênero e identificar as áreas e populações mais vulneráveis. Essas ferramentas podem ser significativas na construção de políticas públicas mais robustas e efetivas na proteção das mulheres.
Para a Sesacre, a participação no seminário representa um passo importante no reforço da vigilância e na melhoria das estratégias de prevenção ao feminicídio no Acre. O encontro também serve como um apoio crucial para o planejamento de políticas públicas que visem à proteção das mulheres e ao enfrentamento da violência de gênero em todas as suas formas.
