Um Marco na Luta Contra o Feminicídio
O estado do Acre deu um passo significativo na luta contra a violência de gênero ao instituir o Dia de Combate ao Feminicídio, uma data que será celebrada anualmente em 13 de abril. Essa decisão, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) na última quinta-feira (2), homenageia a memória de Sara Araújo de Lima, uma servidora pública brutalmente assassinada em 2020 em Rio Branco.
A Lei nº 4.791, sancionada no dia 1º de abril de 2026, insere essa data no Calendário Oficial de Eventos do Acre, visando promover um debate mais amplo e uma conscientização eficaz sobre o tema da violência contra a mulher.
De acordo com o deputado estadual Afonso Fernandes, autor da proposta, o principal objetivo da nova legislação é “promover a conscientização da sociedade sobre a gravidade do Feminicídio” e estimular iniciativas de prevenção e combate ao crime. Vale ressaltar que, em 2025, o Acre apresentou a mais alta taxa de homicídios de mulheres do Brasil, destacando a urgência da questão.
Mobilizando a Sociedade
A data instituída deve servir como um importante instrumento de mobilização social e institucional. Entre as metas estabelecidas estão o fomento ao debate público, a promoção de políticas de proteção para mulheres e a realização de campanhas educativas e ações de sensibilização. O Estado também busca criar parcerias entre o poder público, instituições de ensino, organizações da sociedade civil e entidades privadas, todos unidos na luta contra o feminicídio.
Além disso, a lei permite que o Poder Executivo desenvolva eventos, campanhas e ações relacionadas ao Dia de Combate ao Feminicídio através de suas diversas secretarias e órgãos competentes.
Quem foi Sara Araújo de Lima?
Sara Araújo de Lima, de 38 anos, era servidora administrativa da Fundação Hospitalar do Acre (Fundhacre), onde prestava serviços há mais de dez anos. Sua morte ocorreu em 13 de abril, no estacionamento da unidade de saúde, momento em que chegava para mais um dia de trabalho. A tragédia se deu após uma discussão com seu então marido, Jorge Alberto Franco Filho, de 48 anos, que também era servidor da mesma instituição.
Segundo informações da Polícia Militar do Acre (PM-AC), Jorge Franco é o principal suspeito do crime. Ele teria disparado três vezes contra Sara, atingindo-a na região do peito, o que resultou em sua morte instantânea. Horas depois, ele foi encontrado sem vida, tendo se suicidado após o ato brutal. O casal havia se separado no ano anterior, mas reatou o relacionamento meses antes do assassinato. Familiares relataram que Sara vinha sofrendo perseguições e ameaças, mas a gravidade da situação foi subestimada. O casal era pai de um filho.
Feminicídios no Acre nos Últimos Anos
Nos últimos dez anos, o Acre registrou um aumento alarmante nos casos de feminicídio, ultrapassando 100 ocorrências em 2023. O estado também teve picos de violência em anos específicos, como 2016, 2018 e 2025, o que ressalta a necessidade urgente de ações efetivas para combater essa realidade. Esses dados foram divulgados pela Polícia Civil e refletem a situação preocupante sobre a violência de gênero no estado, uma pauta que deve ser enfrentada com seriedade e compromisso por toda a sociedade.
