A Trajetória de Inovação e Sustentabilidade
A empreendedora acreana Fernanda Onofre exemplifica como a união entre ciência, tecnologia e saberes tradicionais pode enfrentar a crise climática. Fundadora da Wood Chat, ela transforma a floresta amazônica em um tema de ensino acessível por meio de uma inteligência artificial chamada Violeta. Em entrevista ao programa Empreender Brasil, Fernanda detalhou a origem de sua startup, que nasceu de um projeto de pesquisa focado na identificação de espécies de madeira e se tornou um projeto de grande impacto socioambiental.
A Wood Chat atua no combate ao desmatamento ilegal e na educação ambiental, levando conhecimentos até comunidades ribeirinhas e grandes fóruns internacionais. “Eu sou de Rio Branco, no Acre, nascida e criada. Meu pai sempre trabalhou com vendas e meu avô era seringueiro. Cresci vendo esse movimento que moldou quem eu sou”, compartilha Fernanda.
Da Pesquisa ao Empreendedorismo
A criação da Wood Chat surgiu através do edital “Conexão Floresta”, que buscava soluções para ajudar comunidades no reconhecimento de espécies de madeira na Amazônia. Com um time familiar composto por seu irmão, engenheiro de software, e seu esposo, cientista de dados, Fernanda encarou o desafio de desenvolver um algoritmo capaz de diferenciar madeiras que a olho nu parecem idênticas. “Foi um processo que me fez perceber que não se tratava apenas de pesquisa, mas de uma real necessidade de mercado”, explica.
A tecnologia que ela criou não apenas trouxe precisão na identificação de madeiras, mas também garantiu rastreabilidade e legalidade para os comerciantes, além de contribuir para a redução do desmatamento. “Quando você tem precisão, promove sustentabilidade em várias frentes: ambiental, econômica e social”, destaca Fernanda.
Logo, a engenheira civil enfrentou barreiras em um setor tradicionalmente masculino, onde a adoção de tecnologia é baixa. “A confiança foi o principal obstáculo. Eu vinha de outra área e precisei me aprofundar para entender as necessidades do mercado florestal”, revela.
A Evolução da Violeta
A Violeta, a professora da floresta, surgiu durante o processo de desenvolvimento da Wood Chat. Inicialmente, seu papel era apenas reconhecer espécies, mas a equipe percebeu que as interações eram essenciais. “As pessoas queriam conversar. Por isso, a Violeta começou a dialogar: ‘Oi, tudo bem? Como posso ajudar?’ A educação deve envolver afeto”, explica Fernanda.
Atualmente, a Violeta atua no WhatsApp, oferecendo conteúdos sobre educação florestal, manejo sustentável, políticas públicas e saberes tradicionais. Disponível 24 horas por dia, a ferramenta já ajudou mais de duas mil pessoas, sendo utilizada por professores, comunidades ribeirinhas e engenheiros florestais. “Ela se tornou uma ponte entre o conhecimento científico e o cotidiano das pessoas”, afirma Fernanda.
Um Olhar sobre a Crise Climática
Fernanda enfatiza que enfrentar a crise climática requer ouvir as vozes das comunidades que habitam a floresta. “A mudança climática envolve pessoas e territórios. Sem escutar essas vozes, não conseguimos entender o problema real”, aponta.
A Wood Chat se posiciona como uma solução ao oferecer acesso à tecnologia e educação ambiental em áreas historicamente negligenciadas. “A floresta fala, e nós criamos um canal para que essa voz seja ouvida”, conclui.
Expansão e Reconhecimento Internacional
A Wood Chat foi reconhecida com o “Prêmio Finep Mulheres Inovadoras” na região Norte e está em processo de internacionalização, tendo sido selecionada para a incubação na “Casa Brasileira” em Lisboa. Fernanda destaca que a missão é levar o Acre e a Amazônia para o cenário global. “Não estamos apenas saindo do Brasil, mas mostrando ao mundo que o Norte é sinônimo de floresta e inovação”, explica.
Por fim, Fernanda conecta sua trajetória ao empreendedorismo e à memória familiar, e envia uma mensagem de incentivo: “Coragem não é ausência de medo. É seguir em frente mesmo com ele. O conforto paralisa; escute sua inquietação e avance.” Ela ainda ressalta a importância de buscar apoio: “O Sebrae foi fundamental. Empreender é um esforço coletivo. A Wood Chat é fruto de muitas mãos.”
