Desafios e Dedicação de uma Protetora Independente
No dia a dia desgastante, Francisca Martins, uma dedicada protetora de animais de 51 anos, enfrenta uma realidade repleta de amor e sacrifícios. Atualmente, ela abriga 128 gatos que foram salvos de situações de abandono, maus-tratos e risco de morte. “Faço resgates de animais em situação de rua, abandono e urgências. Além disso, sou lar temporário para animais que outras pessoas resgatam e não conseguem manter”, explica.
A maioria desses felinos é composta por gatos idosos, muitos dos quais enfrentam doenças renais e urinárias, além de problemas de visão, o que torna a adoção uma tarefa desafiadora. “A dificuldade em encontrar adotantes é pela condição de saúde dos animais. Eles acabam ficando comigo, não é uma escolha, mas uma consequência do abandono”, relata Francisca, evidenciando a triste realidade que muitos animais enfrentam.
Após ser diagnosticada com depressão em 2012, Francisca adotou seu primeiro gato como forma de lidar com a situação. No entanto, foi em 2018 que ela começou a resgatar animais. “Adotei uma gatinha que foi indicada como uma forma de ajudar minha depressão, mas ela foi morta por outro gato. Desde então, muitos outros gatinhos chegaram até mim, incluindo um casal de recém-nascidos que encontrei na rua”, compartilha.
A protetora enfatiza a importância do carinho e da sensibilidade ao lidar com esses seres que não podem retribuir. “A compaixão pelos animais que sofrem é o que me motiva. É uma causa intensa e somente quem realmente se importa com esses seres pode entender”, afirma Francisca, refletindo sobre a quantidade alarmante de animais abandonados que ela e outras protetoras encontram nas ruas.
O Apoio Familiar e os Desafios Diários
Francisca vive com seu filho de 26 anos, que também se empenha em ajudar na alimentação e nos cuidados dos gatos. No entanto, a protetora destaca as dificuldades que enfrentam juntos. “Nosso lar já não é mais um lar. A carga de problemas financeiros e a falta de recursos pesam sobre nós. Meu filho, sendo jovem, carrega um fardo que muitos não compreenderiam. Dividimos a dor de salvar vidas, mas isso vem a um custo emocional”, desabafa.
Atualmente, a maior dificuldade é assegurar a alimentação dos gatos. Francisca conta que cerca de 30 quilos de ração são consumidos a cada três dias, além de ração específica para filhotes e gatos com necessidades especiais. “Os gastos com alimentação, limpeza, medicamentos e consultas veterinárias são constantes e crescentes. Estou apenas conseguindo o básico, graças a outras protetoras cansadas, mas ainda dedicadas a essa causa”, lamenta.
Apesar das dificuldades, Francisca recebe ajuda mensal de duas pessoas que doam 25 quilos de ração. Ela também busca apoio em grupos de ajuda, não para si, mas para os animais que depende de sua proteção. “Minhas diárias e trabalhos são totalmente voltados para eles. O amor que eu sinto por esses gatos é o que me move a continuar”, destaca.
Apelo por Solidariedade e Cuidados
Os gastos também incluem medicamentos, atendimento veterinário e até dívidas acumuladas com clínicas por causa de emergências. O único suporte regular que recebe é de consultas no hospital veterinário da Universidade Federal do Acre (Ufac). As pessoas frequentemente a procuram para entregar animais, mas muitos apenas desejam transferir a responsabilidade do cuidado sem o comprometimento necessário.
Francisca faz um apelo a quem puder ajudar: “Precisamos de doações de ração, tanto para adultos quanto para filhotes, assim como rações especiais. Mesmo pequenas contribuições podem fazer a diferença na manutenção da alimentação dos gatos nos próximos dias. Quem puder ajudar pode fazer isso diretamente comigo pelo PIX 68981002587 ou pelo telefone (68) 99230-0553. Cada ajuda é essencial para que possamos continuar salvando vidas que dependem da solidariedade”, conclui.
Além dos desafios diários, Francisca também conhece pessoalmente cada um dos 128 gatinhos sob seus cuidados, nomeando-os com carinho. Para ela, cada animal é um membro da família, merecendo dignidade e respeito. “A adoção deve ser feita com responsabilidade; os animais são seres sencientes que têm sentimentos”, alerta a protetora, reforçando a necessidade de um olhar mais atento e carinhoso para esses seres.
