Acusações diretas contra a classe política acreana
O candidato a deputado federal João Marcos Luz (PSDB) elevou o tom ao criticar a atual situação do Acre, definindo o Estado como “falido” em entrevista ao ac24horas. Ele responsabilizou a corrupção sistêmica pelo colapso dos serviços públicos essenciais, rejeitando justificativas que atribuem a crise à falta de recursos naturais ou mão de obra. Luz classificou a gestão estadual como dominada por uma “quadrilha de colarinho branco” que impõe a impunidade e aniquila a esperança da população na política.
Impacto da corrupção nos serviços públicos e indicadores educacionais
O tucano citou a pesquisa Quaest da Rede Amazônica para destacar que saúde, corrupção e violência são as maiores preocupações dos acreanos. Na educação, ressaltou dados do Anuário da Educação Básica de 2025 que revelam que apenas 3,9% dos estudantes concluem o ensino com proficiência adequada em português e matemática. Luz também lembrou operações recentes da Polícia Federal, como Death Note e Talha Real, que investigaram desvios milionários de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e do Fundeb. A infraestrutura do Estado, incluindo a precária situação da BR-364, também foi alvo das críticas.
Críticas à situação política e jurídica do estado
Luz mencionou a condenação do ex-governador Gladson Cameli pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em maio, que resultou em pena superior a 25 anos por organização criminosa e corrupção, além do indeferimento de seu registro ao Senado pelo TRE-AC com base na Lei da Ficha Limpa. O candidato acusou os parlamentares locais de manterem um “silêncio cúmplice” diante das denúncias, afirmando que a maioria prefere o conforto das bases políticas e das emendas parlamentares a enfrentar as irregularidades.
Plano de reconstrução baseado em transparência e controle
Rebatendo críticas de que seu discurso se limitasse a acusações, João Marcos Luz apresentou um roteiro com dez propostas para a reconstrução do Acre. Entre as medidas, destaca-se a exigência de transparência em tempo real, com disponibilização imediata de contratos, notas fiscais, medições de obras e folhas de pagamento. Propõe também uma nova política de licitações para eliminar empresas de fachada e coibir o uso indevido de atas de registro de preço, incluindo punição para gestores omissos.
Na área social, o candidato defende uma educação rastreável, com monitoramento rigoroso dos recursos destinados à merenda, transporte escolar, Fundeb e FNDE. Para a saúde, propõe publicidade integral das filas de espera e das compras do setor. Em segurança pública, defende aumento do efetivo, investimento em inteligência e proteção aos policiais.
Medidas práticas e combate à impunidade
O plano também inclui a recuperação e devolução dos recursos desviados para escolas, hospitais e polícias, o desaparelhamento da máquina pública, criação de mecanismos para proteger denunciantes e aplicação de travas em convênios federais sem execução comprovada. Por fim, Luz defende o cumprimento efetivo da “Ficha Limpa”, de modo que condenações por corrupção sejam impedimentos reais para a ocupação de cargos públicos.
Prioridade imediata e postura na disputa eleitoral
Questionado sobre sua primeira ação caso assumisse o poder, Luz afirmou que promoveria uma devassa no portal da transparência e nas contas da educação, com travas em tempo real para o uso dos recursos da merenda, transporte escolar e saúde pública. Para ele, um Estado sério não teme auditorias constantes. O candidato encerrou a entrevista reafirmando sua disposição de enfrentar a corrupção e se colocar ao lado da população: “Eu não tenho medo de corrupto. Vou para cima. Ou eu toro, ou sou torado. O que não posso é me calar como a grande maioria dos políticos com mandato no Acre. Quem roubou a educação, a saúde e a segurança vai ter de encarar o povo. E eu vou estar do lado do povo.”
