Inflação em Rio Branco se destaca entre capitais brasileiras
Rio Branco apresentou em julho o maior índice de inflação entre as 16 capitais e regiões metropolitanas acompanhadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Índice Nacional de preços ao Consumidor Amplo (IPCA) da cidade subiu 0,32%, valor que supera significativamente a média nacional de 0,07% e a média das cidades pesquisadas, que ficou praticamente estável, em 0,01%.
Análise do Sistema de Monitoramento da Inflação da UFAC
O Relatório Mensal de Inflação – Acre, produzido pelo Sistema de Monitoramento da Inflação (SMI) do Programa de Educação Tutorial (PET) Economia da Universidade Federal do Acre (UFAC), oferece uma explicação detalhada para esse comportamento atípico. Coordenado pelo economista Rubicleis Silva, o estudo destaca que, enquanto a inflação brasileira desacelerou de 0,16% em junho para 0,07% em julho, Rio Branco teve aumento, passando de 0,29% para 0,32% no mesmo período.
Apesar do avanço em julho, o acumulado de janeiro a julho da capital acreana é de 2,98%, o segundo menor entre as capitais pesquisadas, ficando atrás apenas de Curitiba, que registra 2,62%. Este valor também está abaixo da inflação nacional acumulada, que alcança 3,44%. Em 12 meses, Rio Branco acumula alta de 4,23%, enquanto o índice nacional é de 4,44%. O relatório ressalta que o aumento em julho não altera a trajetória mais contida dos preços na capital ao longo do ano.
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Energia elétrica e passagens aéreas impulsionam inflação
A maior pressão inflacionária em julho veio do grupo Habitação, que apresentou alta de 1,52%, com impacto de 0,19 ponto percentual no IPCA. Dentro desse grupo, a energia elétrica residencial foi o maior peso individual, com impacto de 0,16 ponto percentual. Os Transportes também registraram alta, passando de queda de 0,28% em junho para aumento de 0,45% em julho, principalmente devido às passagens aéreas. Após uma queda de 4,69% em junho, elas subiram 12,57% no mês seguinte, impactando 0,11 ponto percentual na inflação da capital.
Os custos com conserto de automóveis também influenciaram, com impacto de 0,07 ponto percentual. Juntos, os grupos Habitação e Transportes representaram 94% da inflação registrada em Rio Branco no mês.
Variações contrastantes nos preços dos alimentos
O grupo Alimentação e bebidas teve queda de 0,12% em julho, revertendo a alta de 0,60% observada em junho. Entretanto, alguns produtos tiveram oscilações significativas: o limão subiu 16,16%, a cebola 11,37% e o frango inteiro 3,55%. Por outro lado, o tomate caiu 9,09%, o mamão 8,35% e o abacate 8,10%. Entre os itens que ajudaram a conter a inflação, o acém teve o maior impacto negativo individual, com 0,19 ponto percentual. Automóveis usados, contrafilé e motocicletas também contribuíram para reduzir a pressão sobre o índice.
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Indicadores apontam concentração da alta em poucos setores
O Índice de Difusão da Inflação (IDI) caiu de 55,8% em junho para 51,7% em julho, marcando o terceiro mês consecutivo de queda desde o pico de 67,8% em abril. Isso indica que a alta de preços em julho se concentrou em poucos itens de maior peso, como energia elétrica residencial e passagens aéreas, enquanto muitos produtos mantiveram estabilidade ou até apresentaram redução.
Apesar da concentração da inflação, o estudo alerta para a necessidade de monitoramento nos próximos meses. O núcleo de inflação por média aparada, que esteve negativo por 11 meses consecutivos, passou de -0,67% para 0,74% em julho, o maior salto registrado na série histórica.
