Premiação em Mâncio Lima: Um Marco para a Educação Indígena
A estudante indígena Bárbara Rosa Batista Puyanawa conquistou o 3º lugar no concurso de redação promovido pelo programa Conscientização pela Paz no Lar, uma iniciativa do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) que visa combater a violência contra as mulheres. A entrega dos computadores ocorreu na última quinta-feira, 12, na Escola Indígena Ixubâay Rabui Puyanawa, em Mâncio Lima, e fez parte das atividades da 32ª Semana Justiça pela Paz em Casa.
Além de Bárbara, outras duas estudantes também foram premiadas, totalizando três jovens que se destacaram com as melhores redações do município de Mâncio Lima. A premiação, que incluiu computadores e outros brindes para as vencedoras, marca um passo significativo na inclusão de comunidades indígenas em programas educacionais voltados para a conscientização sobre a violência doméstica.
Educação como Ferramenta de Transformação Social
Este é um momento inédito, pois pela primeira vez a iniciativa alcança uma comunidade indígena, evidenciando o esforço do TJAC em estender suas ações e sensibilizar jovens sobre a importância do combate à violência de gênero. Desde 2025, o programa já impactou mais de 2 mil estudantes em diversas cidades do Acre, promovendo o conhecimento acerca da Lei Maria da Penha e da legislação referente a crimes de importunação sexual.
A metodologia do programa é bastante prática. Inicialmente, são realizadas palestras educativas que visam informar os adolescentes sobre os temas abordados. Posteriormente, os alunos são convidados a elaborar uma redação, sendo que os três textos melhor avaliados recebem prêmios, como os computadores entregues na cerimônia.
Essa estratégia não apenas fecha um ciclo educativo, mas também direciona o uso responsável dos equipamentos eletrônicos, alinhando-se com as práticas de destinação social e ambientalmente consciente promovidas pelo TJAC.
Parcerias e Colaborações Importantes
A edição de 2025 do programa contou com a participação de diversas instituições, incluindo a Defensoria Pública do Acre (DPE-AC), o Ministério Público do Acre (MPAC), a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC), e a Associação dos Magistrados do Acre (Asmac), além do apoio do Governo do Estado por meio da Secretaria de Estado de Educação (SEE). Essa colaboração entre diferentes órgãos reforça a importância da união de esforços no combate à violência doméstica.
Um Evento Histórico
A cerimônia de premiação foi marcada por um simbolismo especial. O evento, realizado em território indígena, destaca a importância da inclusão das culturas locais em iniciativas que abordam questões sociais relevantes. Além dos computadores, as vencedoras receberam brindes adicionais como garrafas térmicas e fones de ouvido, oferecidos pela Prefeitura de Mâncio Lima.
As estudantes premiadas foram:
- 1º lugar: Ruberlene Nascimento da Silva (Escola Estadual Maria Firmino)
- 2º lugar: Jhenifer da Silva Matos (Escola Primeiro de Maio)
- 3º lugar: Bárbara Rosa Batista Puyanawa (Escola Estadual Indígena Ixubâay Rabui Puyanawa)
Reflexões sobre a Violência Doméstica
Durante a premiação, a juíza de Direito Adamarcia Machado, representante da Cosiv e da Asmac, enfatizou a relevância do programa para as comunidades indígenas e a sociedade como um todo. Segundo ela, a educação e o diálogo são fundamentais para a prevenção da violência doméstica. “É com grande satisfação que celebramos essa conquista. O programa reafirma sua importância no enfrentamento à violência, especialmente entre os jovens”, declarou.
No dia anterior, 11 de outubro, o programa também contemplou estudantes dos municípios de Cruzeiro do Sul e Porto Walter, com a entrega de computadores em uma cerimônia que reuniu a comunidade escolar e representantes locais. As premiadas incluíram:
- 1º lugar: Lívia Pereira de Souza
- 2º lugar: Kerolayne Braga Ramalho
- 3º lugar: Isabela Lima de Almeida
A juíza Marilene Zhu, da Vara de Proteção à Mulher e de Execuções Penais de Cruzeiro do Sul, ressaltou a importância do concurso como uma ferramenta de conscientização e inclusão digital, destacando o impacto positivo que essas iniciativas têm sobre a educação e a formação de jovens críticos e conscientes.
32ª Semana Justiça pela Paz em Casa
A 32ª Semana Justiça pela Paz em Casa, promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em colaboração com os tribunais de justiça do Brasil, ocorre três vezes ao ano e integra a Política Judiciária Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. Durante esta semana, o Judiciário no Acre organizou uma série de atividades para debater os desafios enfrentados pelas mulheres, incluindo audiências e ações educativas que visam mobilizar toda a sociedade para a importância do tema.
