Desmentindo a Desinformação sobre Vacinas e Câncer de Mama
Recentemente, voltou a circular nas redes sociais uma alegação infundada de que a vacina contra a covid-19 estaria associada ao aumento dos casos de câncer de mama. O Ministério da Saúde do Brasil, em resposta a essa narrativa, confirma que essa afirmação é falsa. Não existem dados, estudos ou qualquer evidência científica que sustentem tal hipótese.
Instituições respeitáveis, como o Instituto Nacional do Câncer (INCA) e o National Cancer Institute dos Estados Unidos, já refutaram qualquer conexão entre as vacinas contra a covid-19 e o desenvolvimento de câncer, seja ele qual for. O Ministério da Saúde reitera que todos os imunizantes administrados no Brasil passam por rigorosos testes de segurança antes da autorização e continuam sob monitoramento constante. Não há comprovação de que a vacinação cause câncer, acelere tumores ou leve à recorrência dos mesmos.
Números que Falam por Si
Os dados coletados pelo Painel de Oncologia do DataSUS mostram que não houve um aumento anômalo de casos de câncer após o início da vacinação contra a covid-19. Historicamente, o Brasil registra cerca de 600 mil novos casos de câncer anualmente, e os números recentes estão dentro dessa média:
- 2025 (até novembro): 348.800 casos
- 2024: 637.729 casos
- 2023: 678.039 casos
- 2022: 635.056 casos
- 2021: 573.174 casos
O INCA também afirma não ter encontrado nenhum aumento anormal associado à vacinação.
No que tange ao câncer de mama, a previsão é de que o Brasil registre aproximadamente 73.610 novos casos em 2026. A incidência deste tipo de câncer aumenta com a idade, sendo mais frequente em mulheres a partir dos 50 anos. Em 2023, foram registrados mais de 20 mil óbitos, com maior concentração nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, conforme a publicação “Controle do Câncer de Mama no Brasil: Dados e Números 2025”. O relatório ainda aponta uma tendência de redução da mortalidade entre mulheres de 40 a 49 anos, destacando a importância do diagnóstico precoce. Em 2024, o SUS realizou 4,4 milhões de mamografias, sendo 2,6 milhões voltadas para a faixa etária prioritária.
Impacto da Pandemia nos Diagnósticos de Câncer
Especialistas têm esclarecido que o aumento nos diagnósticos em estágios mais avançados de câncer não está relacionado às vacinas, mas sim à diminuição de exames de rotina durante a pandemia. Um relatório da The Lancet Oncology indica que, no primeiro ano da pandemia, cerca de 100 milhões de exames de câncer deixaram de ser realizados. Isso resultou em menos de 1,5 milhão de atendimentos de pacientes, com 50% não recebendo tratamento adequado a tempo. Estima-se que até 1 milhão de casos de câncer podem ter ficado sem diagnóstico.
A interrupção de consultas e rastreamentos fez com que muitos tumores fossem identificados apenas em estágios avançados. É crucial entender que correlação não implica causalidade: o fato de dois eventos ocorrerem em simultâneo não significa que um causo o outro.
Funcionamento das Vacinas de RNA Mensageiro
As vacinas baseadas em RNA mensageiro não modificam o DNA humano. O RNAm não entra no núcleo celular; sua função é orientar o organismo a produzir proteínas que desencadeiam uma resposta imunológica. Após cumprir sua função, o RNAm é rapidamente degradado e eliminado do corpo. Não há nenhum mecanismo biológico que possa sustentar a ideia de que este tipo de vacina seria capaz de provocar câncer.
A Importância da Informação Confiável
A disseminação de informações falsas a respeito de vacinas gera medo e insegurança na população. É fundamental que decisões relacionadas à saúde sejam tomadas com base em evidências científicas e informações verificadas. Antes de compartilhar mensagens alarmistas, é imprescindível consultar fontes oficiais, como o Ministério da Saúde, o INCA e a Organização Mundial da Saúde (OMS). A informação de qualidade é um precioso instrumento para proteger vidas.
