Aprovação da Delimitação da Terra Indígena Nawa
No dia 13 de fevereiro, a Fundação Nacional do Índio (Funai) deu um passo significativo na proteção dos direitos dos povos indígenas ao aprovar o Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da Terra Indígena (TI) Nawa, tradicionalmente ocupada pelo povo Nawa/Kapanawa. A decisão foi oficializada pela presidenta da Funai, Joenia Wapichana, durante uma reunião que contou com a presença de lideranças e representantes da comunidade Nawa/Kapanawa, simbolizando um momento histórico para a luta indígena.
O objetivo principal do relatório é não apenas identificar, mas também delimitar a TI Nawa, reforçando os direitos constitucionais que garantem a proteção territorial e cultural do povo indígena. Estima-se que a área delimitada abranja aproximadamente 65 mil hectares, onde vivem mais de 300 pessoas organizadas em 96 famílias, cuja conexão com a terra é fundamental para a sua identidade e sobrevivência.
Um Marco de Luta e Esperança
A aprovação da delimitação é um marco que culmina duas décadas de luta por reconhecimento e direitos. A TI agora é oficialmente reconhecida como uma terra indígena tradicional, pertencente ao povo Nawa/Kapanawa, o que não apenas valida a presença histórica da comunidade na região, mas também abre caminhos para que os direitos dos indígenas sejam respeitados e protegidos.
Com essa decisão, a TI Nawa seguirá para as próximas etapas administrativas do processo de demarcação, um passo crucial para a efetivação dos direitos territoriais. A Funai se comprometeu a divulgar o Despacho Decisório, o resumo do relatório e o mapa de delimitação no Diário Oficial da União (DOU) e no Diário Oficial do Estado do Acre (DOE), garantindo transparência ao processo e à participação da comunidade.
Entendendo a Terra Indígena Nawa
A TI Nawa, que ocupa uma área de 65.159,27 hectares e possui um perímetro de 138.810,45 metros, está situada entre os municípios de Mâncio Lima e Rodrigues Alves, no Acre. O nome Nawa, originário da língua Pano, significa “gente” ou “povo”, enquanto Kapanawa faz referência à ancestralidade dos Nawa, descendentes da indígena Kapanawa Mariruni, que é lembrada como a “última sobrevivente Náua”. O termo Kapa, por sua vez, se relaciona a um esquilo amazônico conhecido como quatipuru.
Além de resgatar a história e a identidade do povo Nawa, a delimitação da TI é uma conquista que reafirma o direito dos indígenas à suas terras e culturas. “Estamos vivenciando um momento de celebração, pois é o reconhecimento da nossa luta e da nossa ligação com a terra”, declarou um representante da comunidade Nawa, que destacou a importância desse passo para a continuidade de suas tradições e modos de vida.
O processo de demarcação da TI Nawa serve como um exemplo e uma inspiração para outros grupos indígenas que ainda lutam por reconhecimento e direitos. A aprovação do relatório não é apenas um avanço no âmbito legal, mas também um forte sinal de esperança para todos que acreditam na preservação da diversidade cultural e na proteção das terras indígenas no Brasil. A luta do povo Nawa agora se torna um símbolo de resistência e valorização das culturas originárias, fundamentais para a identidade nacional.
A espera de 20 anos por esse reconhecimento é um lembrete do esforço contínuo e da resiliência dos povos indígenas na busca por seus direitos. Com a delimitação da TI Nawa, novos horizontes se abrem, permitindo que o povo Nawa/Kapanawa continue a trilhar seu caminho, respeitando suas tradições e fortalecendo sua identidade.
