Mudança Administrativa no Hospital Regional do Alto Acre
Um plano de terceirização do Hospital Regional do Alto Acre, situado em Brasiléia, está provocando um intenso debate na comunidade local. Embora o governo do estado assegure que esse novo modelo de gestão não se trata de uma privatização total dos serviços hospitalares, a resistência por parte dos servidores é notável.
A Secretaria Estadual de Saúde do Acre (Sesacre) afirmou, em entrevista à Rede Amazônica Acre, que o objetivo da mudança é implementar um novo modelo administrativo, destinado a aprimorar a gestão, e não para privatizar os serviços de saúde. O edital que regulamentará essa nova administração ainda está em fase de elaboração e não há uma data definida para sua implementação.
“Acreditamos que a terceirização não é a solução para os problemas do hospital. A verdadeira questão é a falta de investimento por parte do governo”, afirmou Albertina Oliveira, técnica de enfermagem que trabalha na instituição. Ela enfatizou, ainda, que a situação atual da unidade de saúde é crítica, com carência de profissionais especializados e infraestrutura inadequada.
Desafios do Atendimento na Região
Os desafios enfrentados pelo Hospital Regional do Alto Acre não são apenas administrativos. A falta de especialistas e as péssimas condições de trabalho têm levado os funcionários a formarem cotas para arcar com custos básicos, como a internet do hospital. “Pagamos cerca de R$ 8 mil por ano, divididos entre os colegas, só para ter acesso a serviços essenciais. Além disso, organizamos coletas para consertar ar-condicionados e adquirir ventiladores, pois nem todos os ambientes estão climatizados”, criticou Albertina, reforçando a ideia de que a solução não passa pela terceirização, mas sim por uma gestão eficiente e um planejamento adequado.
Os relatos de moradores também revelam a desesperadora necessidade de atendimento médico. Muitos pacientes são forçados a viajar até a capital, Rio Branco, para conseguir suporte adequado. Maria Raimunda Pereira, merendeira local, compartilhou seu lamento pela morte da mãe, que não conseguiu realizar uma cirurgia vital em Brasiléia e faleceu durante o percurso até a capital. “Se houvesse esse atendimento cirúrgico aqui, talvez ela ainda estivesse conosco”, desabafou.
Falta de Profissionais e Expectativas Futuras
A Sesacre atribui a necessidade de terceirização à escassez de profissionais de saúde na região. O secretário Pedro Pascoal esclareceu que, apesar de concursos e processos seletivos terem sido realizados, as vagas não foram preenchidas, o que prejudica a capacidade do hospital de oferecer serviços de qualidade, como leitos de UTI e atendimento cirúrgico 24 horas.
Com a nova gestão, a entidade responsável pela administração do hospital deverá seguir metas previamente estabelecidas em contrato e poderá enfrentar penalidades caso não atenda aos requisitos exigidos. “O Sistema Único de Saúde (SUS) é gratuito e universal. Nossa expectativa é atrair especialistas para residir no Alto Acre, garantindo atendimento a população de cidades como Xapuri, Epitaciolândia, Assis Brasil e Brasiléia, promovendo, assim, uma reorganização e melhoria nos serviços hospitalares da região”, concluiu o secretário.
