A Transformação pela Café
No coração da Reserva Extrativista Chico Mendes, localizada na Amazônia acreana, uma família encontrou um novo caminho para sua vida e negócios. Keyti Kety Souza e Jorge Souza trocaram a incerteza trazida pela pandemia da covid-19 por uma história de sucesso que envolve um pequeno fruto, mas muito especial: o café. O casal decidiu retornar às raízes familiares de Jorge, que cresceu na Reserva Chico Mendes, e, inspirado por esse retorno, decidiu investir no cultivo de café, mesmo sem experiência anterior. “O Jorge saiu da floresta aos 12 anos para estudar na cidade e, no contexto da pandemia, decidimos voltar para a família. Foi nesse momento que ele sugeriu plantarmos café, e isso surpreendeu a todos nós”, recorda Keyti.
A cafeicultura, nos últimos anos, tornou-se um dos pilares da economia do Acre, e a experiência de Jorge e Keyti é apenas um exemplo de como essa atividade tem transformado a vida de muitas famílias na região. O estado é conhecido pelo cultivo do robusta amazônico, uma variedade famosa por seu sabor intenso e características únicas.
O Papel do Governo na Cafeicultura
O governador Gladson Camelí destaca que acompanhar o crescimento da produção de café é um sinal positivo para a economia local. “A produção de café tem crescido de forma impressionante, evidenciando a força do nosso agronegócio e a capacidade dos nossos produtores. O governo tem sido um parceiro ativo nesse processo, oferecendo incentivos e apoio, como programas que garantem a compra de mudas de viveiristas do Acre, fortalecendo toda a cadeia produtiva desde a base”, afirma Camelí.
Além do apoio para a cafeicultura, o governo também tem se preocupado em fornecer insumos para outras culturas, contribuindo para um ambiente de desenvolvimento que gera renda e novas oportunidades de emprego. “Essa política integrada está mudando a realidade das famílias acreanas, mostrando que o futuro do Acre depende do nosso setor agrícola e do trabalho de quem acredita na terra”, complementa.
Produção Sustentável em Território Protegido
A marca da família, chamada ‘Raízes da Floresta’, simboliza a valorização das origens de Jorge e sua conexão com a terra e a natureza. O nome reflete o compromisso da família em respeitar as raízes culturais e familiares enquanto pratica uma produção sustentável. “Utilizamos áreas já desmatadas para o plantio do café, sem derrubar mais árvores. Mantemos a mata alta como um limite para nossa plantação”, explica Jorge.
Atualmente, o café produzido é comercializado em várias regiões do Brasil, incluindo São Paulo e Rio Branco. Jorge destaca que trabalham com três modalidades: o café especial, que passa por um processo de fermentação; o café especial não fermentado, que é natural; e o café tradicional, que não requer fermentação ou seleção.
Iniciativas de Apoio e Capacitação
O trabalho da Seagri (Secretaria de Agricultura) nos últimos anos tem sido fundamental para a evolução da cafeicultura no Acre. A agricultura, antes vista apenas como atividade de subsistência, agora é considerada uma ferramenta crucial para o desenvolvimento econômico rural, impulsionando o PIB do estado. Desde o início, o governo ajudou Jorge e Keyti, fornecendo mudas de café e promovendo visitas técnicas e capacitações para melhorar a produção. “O apoio do governo foi essencial. Hoje, temos água em nossa lavoura, o que permite aumentar a produção, já que as lavouras irrigadas têm rendimento melhor”, conta Keyti.
Além do suporte técnico, a família recebeu insumos como adubo e uma máquina secadora moderna, fundamental para garantir a qualidade dos grãos. A marca Raízes da Floresta ganhou reconhecimento em eventos importantes, como a Semana Internacional do Café, onde Keyti teve a oportunidade de apresentar seus produtos na Itália, consolidando ainda mais a visibilidade da marca.
Reconhecimento e Perspectivas Futuras
O reconhecimento do trabalho desenvolvido por Jorge e Keyti se concretizou quando sua produção conquistou o 11º lugar no Concurso Florada Premiada, um dos mais prestigiados concursos de cafés especiais do Brasil, promovido pela 3 Corações. Na primeira edição do QualiCafé, o café da família ficou em 5º lugar, com uma impressionante pontuação de 86 pontos, destacando-se entre os melhores do estado. Segundo Temyllis Silva, secretária de Agricultura, os bons resultados da cafeicultura são frutos do apoio contínuo do governo e das capacitações oferecidas aos produtores, permitindo que eles melhorem tanto a quantidade quanto a qualidade da produção.
Recentemente, os produtores foram selecionados para fornecer café ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), uma iniciativa que integra o café acreano na alimentação escolar, promovendo a dignidade da comunidade e fortalecendo a economia local. Keyti ficou animada com a possibilidade de seu café chegar às mesas dos estudantes. “Quando soubemos que fomos escolhidos, sentimos uma grande alegria, pois é uma novidade que trará benefícios à nossa comunidade”, finaliza.
