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    Home - MPF Recomenda Suspensão do Exame de Residência: Exigências que Excluem Candidatos Indígenas
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    Irregularidades no Edital do Enare motivam alerta do Ministério Público Federal
    14/07/2025

    MPF Recomenda Suspensão do Exame de Residência: Exigências que Excluem Candidatos Indígenas

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    Irregularidades na Seleção de Candidatos Indígenas

    O Ministério Público Federal (MPF) emitiu uma recomendação para a suspensão imediata do processo seletivo do Exame Nacional de Residência (Enare), organizado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A Recomendação nº 15/2025, oriunda do MPF no Acre, tem como objetivo resolver irregularidades detectadas no Edital n.º 5/2025, que afetam negativamente a habilitação de candidatos indígenas para as vagas reservadas. Caso a recomendação seja acatada, o MPF solicita que o seletivo seja reaberto, oferecendo um prazo razoável para que os candidatos indígenas possam se inscrever.

    A atuação do MPF foi motivada por um inquérito civil instaurado após uma representação que destacou a exclusão de candidatos indígenas devido às exigências do edital. As irregularidades estão concentradas nas exigências documentais, que na prática dificultam a comprovação da identidade indígena por meio de condições como registro civil com identificação étnica, documentos emitidos pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), comprovante de residência em áreas tradicionais ou certidão de nascimento que indique local de nascimento.

    Leia também: União Europeia Estende Suspensão a Tarifas de Trump Até Agosto: O que Isso Significa?

    Exigências Inadequadas e Prazo Insuficiente

    De acordo com o MPF, a condição de pertencimento a uma comunidade indígena deve ser reconhecida por aquele que se considera parte dela e pela própria comunidade, sendo inadequado que agentes externos, como órgãos do governo, determinem quem é ou não indígena. Este entendimento desafia a validade das exigências presentes no edital, que não consideram as especificidades culturais e sociais das comunidades indígenas.

    Outro ponto que gerou preocupação foi o curto prazo concedido para a apresentação de documentos e solicitação de isenção de taxa. O edital estipulou apenas 48 horas (de 25 a 26 de junho), um intervalo considerado desproporcional e prejudicial à igualdade de oportunidades, especialmente considerando as particularidades da população indígena, que frequentemente enfrenta desafios como a falta de acesso à internet e a predominância da oralidade como meio de comunicação.

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    Recomendações do MPF

    Frente a estas irregularidades, o MPF direcionou algumas recomendações à Ebserh e à FGV, que incluem:

    Leia também: MPF e DPU defendem a comunidade Kariri Xocó contra expulsão em área indígena homologada em Alagoas

    • suspensão imediata do processo seletivo;
    • Retificação do edital dentro de um prazo de 30 dias corridos, eliminando a exigência de documentação específica, como o registro civil com identificação étnica e comprovantes de residência em áreas indígenas;
    • Reabertura do prazo para apresentação de documentos e solicitação de isenção de taxa, garantindo um novo período de pelo menos sete dias.

    As entidades têm até cinco dias corridos para informar ao MPF sobre a aceitação da recomendação e, se afirmativa, devem apresentar um cronograma para o cumprimento das medidas sugeridas. O não cumprimento ou uma resposta negativa poderá gerar a adoção de ações judiciais por parte do MPF.

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