Crescimento do Mercado de Suplementos em Goma
Uma pesquisa realizada pela Mordor Intelligence revelou que o mercado global de suplementos em goma alcançou a impressionante cifra de US$ 9,43 bilhões em 2023. Com expectativas otimistas, estima-se que esse segmento atingirá US$ 13,64 bilhões até 2028. Essa expansão é impulsionada por um aumento significativo na demanda por multivitamínicos em formatos mastigáveis, inovação em sabores, cores e ingredientes funcionais, além do crescente interesse dos consumidores por cuidados de saúde preventivos e pela incorporação de suplementos em seu dia a dia.
Os suplementos em goma são apresentados como formas sólidas de dose única destinadas ao consumo oral. Conforme definido pelo Vocabulário Controlado de Formas Farmacêuticas da Anvisa, esses produtos são elaborados a partir de uma matriz mastigável, que proporciona um sabor e textura agradáveis, permitindo a liberação dos componentes durante a mastigação.
A Evolução do Comportamento do Consumidor
Embora o aspecto visual dos suplementos em goma se assemelhe a balas ou doces, sua formulação é técnica e específica, com controle de dosagem e requisitos regulamentares próprios para suplementos alimentares. Sandro Botta, CEO da Hilê Indústria de Alimentos, analisa que o crescimento nesse segmento se deve a uma combinação de fatores estruturais, como a transformação no comportamento dos consumidores e os avanços tecnológicos na indústria.
Botta afirma que os consumidores estão em busca de formatos que se integrem melhor à sua rotina e que proporcionem uma experiência sensorial positiva. “A indústria, por sua vez, está capacitada para desenvolver matrizes estáveis, que garantam controle de dosagem e uma vida útil previsível”, explica o executivo.
Autocuidado e Experiência do Usuário
O autocuidado é cada vez mais visto como uma experiência, e não apenas uma obrigação. Nesse contexto, os suplementos em goma oferecem praticidade, portabilidade e uma aceitação sensorial superior, o que favorece a adesão a um uso contínuo — elemento fundamental para qualquer estratégia de suplementação a longo prazo. O formato tem ganhado destaque globalmente, visto que combina conveniência e inovação. No Brasil, essa tendência se intensifica à medida que o mercado se profissionaliza e novas exigências regulatórias elevam o padrão técnico das formulações.
Botta observa que categorias específicas de suplementos têm liderado a inovação nos formatos em goma, principalmente aquelas que requerem uso contínuo e fazem parte da rotina diária, como suplementos para imunidade, sono, beleza e foco. “As gomas não são apenas uma alternativa; elas representam uma estratégia de diferenciação e fidelização”, destaca.
Regulamentação e Desafios Técnicos
A produção de suplementos em goma está sujeita a rigorosos requisitos que abrangem a composição, qualidade, segurança e rotulagem. Esses padrões estão definidos pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 243 da Anvisa, que estabelece a identidade, pureza e estabilidade dos produtos. A norma exige que a rotulagem informe a natureza do produto como “suplemento alimentar”, além de especificar grupos populacionais e recomendações de uso.
Botta ressalta a necessidade das empresas garantirem a precisão na dosagem e na estabilidade ao longo da validade, principalmente com a crescente obrigatoriedade de testes de estabilidade que entra em vigor a partir de 2026. “O consumidor está mais exigente, e a regulação também. A matriz em goma demanda um controle rigoroso de umidade, temperatura e interações entre compostos”, explica, reiterando a importância da transparência na rotulagem e da rastreabilidade dos insumos utilizados.
Investimentos em Tecnologia e Futuro dos Suplementos em Goma
Para desenvolver suplementos em goma, é necessário um conhecimento técnico aprofundado, considerando que se trata de uma matriz sensível às variações ambientais e às interações entre ingredientes. Em resposta a essas demandas, empresas do setor têm aumentado seus investimentos em tecnologia de processos, controle de umidade, estabilidade de ativos e padronização sensorial, visando garantir a qualidade das formulações.
Na Hilê Indústria de Alimentos, a estratégia para atender à crescente demanda por suplementos em goma envolve investimentos nessas áreas, priorizando a adaptação das formulações às exigências regulatórias. Botta esclarece que a empresa vê esse formato como um complemento, não um substituto, para as cápsulas, dentro de um portfólio de produtos mais amplo. Até 2026, a expectativa é que as gomas ocupem um espaço significativo nas categorias de bem-estar e rotina, especialmente voltadas ao público adulto.
O diferencial competitivo nesse cenário estará na capacidade de alinhar experiência sensorial, precisão técnica e conformidade regulatória — elementos essenciais para a sustentabilidade deste formato no mercado. Botta destaca que, apesar das semelhanças visuais com balas comuns, os suplementos em goma são produtos regulamentados, com requisitos específicos de formulação e controle de dosagem. À medida que o setor se adapta a novas regulações, especialmente no que diz respeito a testes de estabilidade, a distinção entre suplementos e produtos alimentícios convencionais torna-se ainda mais clara.
“A educação do consumidor é fundamental. A comunicação deve enfatizar composição, finalidade nutricional e limites de consumo, evitando associações com doces. Rótulos claros e informações objetivas sobre ingredientes e concentrações são essenciais”, finaliza o CEO.
