Emergência em Seis Municípios do Acre
No último domingo, 5 de abril de 2026, o governo do Acre declarou situação de emergência em seis municípios do estado devido à cheia dos rios, que impacta direta ou indiretamente mais de 40 mil moradores. A decisão foi formalizada pelo Decreto nº 11.865, em resposta ao agravamento das inundações causadas pelas intensas chuvas que atingiram a região nas últimas semanas, afetando cidades urbanas, áreas rurais e comunidades ribeirinhas.
O decreto estabelece uma situação de emergência de nível II nos municípios de Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro, onde as inundações nas bacias dos rios Envira, Abunã, Purus e Tarauacá são mais severas. Essa condição foi classificada como um desastre natural hidrológico, conforme as diretrizes da Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (Cobrade).
Reunião de Emergência no Cigma
A reunião que culminou nesse decreto ocorreu no Centro Integrado de Inteligência, Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma), localizado na sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac). Diversos representantes de órgãos governamentais estavam presentes, incluindo Jonathan Donadoni, secretário de Estado da Casa Civil, e outros líderes de secretarias essenciais como Assistência Social, Meio Ambiente e Saúde.
Nas últimas semanas, os dados técnicos sobre a quantidade de chuvas foram alarmantes, com registros de até 280 milímetros em algumas localidades. Rios como o de Cruzeiro do Sul já estão com níveis preocupantes, ultrapassando os 14 metros, enquanto em Feijó, o rio alcançou 12,34 metros, ambos acima das cotas de transbordamento.
Prioridade na Resposta à Crise
Douglas Jonathan Santiago, chefe de gabinete e representante da governadora Mailza Assis, enfatizou a necessidade de uma resposta rápida e integrada do governo. “Este decreto é crucial para acelerar a liberação de recursos e garantir assistência às famílias afetadas”, destacou. Ele sublinhou que a prioridade do governo é salvaguardar vidas e assegurar dignidade para todos os impactados pela situação atual.
A Defesa Civil Estadual também está em alerta, monitorando a situação em outras áreas que, embora não estejam incluídas no decreto, enfrentam riscos semelhantes devido à possibilidade de novos aumentos nos níveis dos rios. Famílias estão sendo desalojadas, e os danos à infraestrutura e à agricultura de subsistência são significativos.
Cooperação e Monitoramento Intensificado
O coronel Carlos Batista, coordenador estadual da Defesa Civil, afirma que as equipes estão mobilizadas para responder a emergências. “O monitoramento está intensificado devido ao comportamento dos rios e às previsões meteorológicas”, disse, ressaltando a rapidez com que os níveis dos rios podem mudar devido ao volume de chuvas excessivas.
Com a implementação do decreto, a Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil do Estado do Acre (CEPDC) receberá prioridade nos serviços públicos e poderá mobilizar recursos necessários para socorro, além de autorizar despesas emergenciais para ajudar as comunidades afetadas.
Apoio aos Povos Indígenas
A secretária de Povos Indígenas, Francisca Arara, mencionou que a situação nas aldeias ainda não é crítica, mas o governo continua a prestar apoio contínuo aos povos indígenas, independentemente da época de cheia ou seca. “Estamos monitorando as necessidades nas áreas onde vivem os povos katuquinas e kaxinauas e estamos prontos para agir”, afirmou.
O decreto também concede poderes para a entrada forçada em imóveis, se necessário, para o resgate de pessoas, com a garantia de indenização em caso de danos.
Perspectivas Futuras
O coronel Charles Santos, do Corpo de Bombeiros Militar do Acre, assegurou que a corporação está preparada para atuar em todos os municípios, contribuindo para a segurança da população. O decreto tem validade de 180 dias e reforça a colaboração entre o estado, as prefeituras e o governo federal para mitigar os impactos da cheia. Com a previsão de chuvas acima da média nos próximos dias, a população permanece em estado de alerta.
Níveis das Águas
Os níveis dos rios nos municípios afetados são alarmantes:
- Tarauacá: 7,26m (Cota de transbordamento: 9,50m)
- Feijó: 12,10m (Cota de transbordamento: 12m)
- Rodrigues Alves: acima de 14m (Cota de transbordamento: 13,50m)
- Cruzeiro do Sul: 14,07m (Cota de transbordamento: 13m)
- Mâncio Lima: 6,24m (Cota de transbordamento: 6,20m)
- Plácido de Castro: sem leitura (Cota de transbordamento: 12,20m)
