Uma Celebração da Cultura e Resistência
O Carnaval de Rio Branco foi palco de uma intensa disputa entre três agremiações que brilharam no desfile: Seis É D+, Unidos do Fuxico e Sambase. O desfile, que encantou os espectadores, trouxe alas e fantasias que abordaram questões sociais relevantes, com destaque para um carro alegórico em homenagem ao educador Paulo Freire, falecido em 1997. O samba-enredo deste ano, com a temática “Favela é o berço da cultura”, ressoou com força, refletindo a realidade e as lutas das comunidades periféricas. O grupo Seis É D+ já havia conquistado o título em 2025, destacando-se por sua narrativa rica sobre a história do Carnaval.
Após a consagração, Cláudio Jansen, presidente do bloco, manifestou sua alegria, afirmando que o título é um reflexo da união e dedicação de todos os integrantes que se empenharam para brilhar mais uma vez na avenida. “Favela venceu! A determinação, a garra, a responsabilidade. Nós tínhamos um objetivo, nós planejamos o título e conquistamos. Mais uma vez eu digo: a favela venceu, sete vezes campeões!”, celebrou Jansen, revelando a emoção que permeou a conquista.
Ranking dos Blocos e Avaliação da Comissão Julgadora
No desfecho do concurso, o bloco Unidos do Fuxico alcançou a segunda colocação e, por sua vez, o Sambase garantiu o terceiro lugar. As apresentações foram avaliadas por uma comissão composta por 12 jurados, que levaram em conta diversos aspectos, como os carros alegóricos, a bateria, os sambas-enredo e a harmonia entre ritmo e canto, além da comissão de frente e a rainha da bateria.
Os prêmios foram significativamente aumentados em relação ao ano anterior: o primeiro lugar recebeu R$ 20 mil, um incremento de R$ 13.625,00; o segundo lugar levou R$ 10 mil, com um aumento de R$ 4.625,00; e o terceiro lugar conquistou R$ 6 mil, um acréscimo de R$ 1.625,00. Essa valorização dos desfiles demonstra a importância do evento para a cultura local.
Desfile Sob a Chuva e Adiamento
Porém, nem tudo ocorreu como planejado. O desfile enfrentou interrupções devido a chuvas intensas que atingiram o Centro de Rio Branco. A primeira apresentação foi a do Unidos do Fuxico, mas, com a chegada da chuva, os presidentes dos blocos se reuniram e decidiram adiar as demais apresentações. “O que foi combinado com os presidentes dos blocos e com a Comissão de Carnaval é que se um bloco se apresentasse com o tempo normal, tudo bem as duas continuarem. Se caso um bloco desfilasse e logo em seguida chovesse, seria suspenso o desfile e continuado no próximo dia”, explicou Klowsbey Pereira, diretor-presidente da Fundação de Cultura Garibaldi Brasil (FGB).
Enredos e Temáticas dos Blocos
O bloco Unidos do Fuxico trouxe o enredo “Daime Luz!”, que se inspira na prática espiritual da ayahuasca, enfatizando a ancestralidade e a espiritualidade. A proposta marca o retorno da agremiação após um período de desclassificação em 2025, que ocorreu por descumprimento do regulamento.
Por outro lado, o Sambase focou na Revolução Acreana, exaltando a figura de Plácido de Castro e o papel crucial dos seringueiros na luta pela independência do estado. Tendo como objetivo o tricampeonato, o Sambase lamentou o terceiro lugar em 2025, ao relembrar seu enredo que exaltava a história do Acre.
Finalmente, o Seis É D+ apresentou o enredo “Favela ou Periferia: a origem não define meu futuro”, que trouxe uma reflexão poderosa sobre estigmas sociais, solidificando a importância das comunidades periféricas na construção da cultura local. O bloco não apenas conquistou o heptacampeonato, mas também quebrou um jejum de oito anos sem títulos, demonstrando que a perseverança e a luta por reconhecimento são a força motriz por trás de sua trajetória.
