Sanções da ONU e o Acordo Nuclear
Desde a retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear em 2018, o Irã tem apresentado um desvio notável de suas obrigações, aumentando as tensões com a comunidade internacional. Recentemente, ministros das Relações Exteriores da França, Alemanha e Reino Unido emitiram um comunicado conjunto, evidenciando que a não conformidade do Irã com o JCPoA (Plano Conjunto de Ação) é não apenas evidente, mas intencional. Os locais críticos para a proliferação no Irã estão fora do monitoramento da AIEA, apontaram as autoridades.
“O Irã não justifica a presença de seu estoque de urânio altamente enriquecido para fins civis”, disseram os ministros em resposta à situação alarmante.
O comunicado frisou que o programa nuclear do Irã representa uma ameaça clara à segurança internacional. Em reação, o Ministério das Relações Exteriores do Irã se manifestou, caracterizando a decisão como uma “escalada provocativa e desnecessária”, prometendo respostas proporcionais e alertando que tal ato poderia comprometer a atual cooperação com a AIEA.
Um Olhar Sobre o Programa Nuclear Iraniano
O Irã, que há décadas desenvolve seu programa nuclear sob a alegação de que é voltado para fins pacíficos, planeja expandir suas usinas nucleares para atender sua demanda energética interna e aumentar a exportação de petróleo. Contudo, a AIEA alerta que o tipo de urânio que o país possui levanta sérias preocupações, uma vez que não é comum em países sem um programa de armas nucleares.
O acordo de 2015 fez com que o Irã limitasse seu uso de centrífugas, reduzisse drasticamente suas reservas de urânio e aceitasse inspeções internacionais mais rigorosas, em troca de um alívio significativo nas sanções. No entanto, após a saída dos EUA do pacto, o Irã aumentou seu enriquecimento de urânio drasticamente — passando de cerca de 150 kg a um estoque 50 vezes maior do que em 2018.
Consequências e Oportunidades para Diplomacia
O mecanismo de “snapback” que ativa automaticamente as sanções exige uma janela de 30 dias para que o Irã tome medidas que evitem a reimposição de sanções. Segundo um funcionário britânico, a escolha de ativar esse processo não foi feita levianamente, mas sim em resposta à “grave não conformidade” do Irã e à ausência de um compromisso diplomático adequado.
O funcionário enfatizou que essa decisão não significa o fim das tentativas de diálogo e que a busca por uma solução negociada ainda está em pauta. Em uma carta ao Conselho de Segurança da ONU, os ministros do E3 reiteraram seu compromisso em resolver as questões relacionadas ao acordo nuclear e incentivaram o Irã a se envolver em uma diplomacia construtiva.
Expectativas de Inspeções e a Reação Internacional
Na mesma linha, o diretor-geral da AIEA expressou otimismo quanto à possibilidade de retomar inspeções nas instalações nucleares iranianas, destacando que o momento atual pode proporcionar elementos positivos para evitar sanções abrangentes. Inspetores nucleares retornaram ao Irã recentemente, mas ainda sem um acordo claro que garanta acesso adequado para seu trabalho, conforme o diretor da AIEA, Rafael Grossi.
Com a escalada das tensões, o Secretário de Estado Marco Rubio instou os líderes iranianos a tomarem medidas decisivas para garantir que o país não obtenha armas nucleares e a focarem em um caminho pacífico que beneficie a população iraniana.
Reações de Israel e Ações no Campo Militar
O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, elogiou a ativação do mecanismo de snapback, considerando-o um passo importante para conter o avanço do programa nuclear do Irã e intensificar a pressão sobre o regime iraniano. A declaração sobre as sanções ocorre em um momento sensível, após Israel ter realizado ataques aéreos em locais estratégicos do Irã, intensificando ainda mais as hostilidades na região.
A situação é complexa e as consequências dessa decisão podem reverberar além da política internacional, impactando diversos aspectos da segurança global.