Resultados e Tendências das Queimadas no Acre
No primeiro trimestre de 2026, o estado do Acre registrou apenas quatro focos de queimadas, conforme apontou o painel do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Este número, considerado baixo, segue a tendência de diminuição observada durante o mesmo período do ano anterior, quando as chuvas tiveram um impacto direto nas ocorrências. Em 2025, a quantidade de focos foi drasticamente reduzida, resultando em um cenário favorável que se manteve até os primeiros meses de 2026.
De acordo com os dados do Inpe, os dois focos de janeiro foram registrados em Rio Branco e Epitaciolândia, enquanto fevereiro viu a ocorrência de mais dois focos em Rodrigues Alves e Tarauacá. Março, por outro lado, não apresentou registros, enfatizando a influência do clima úmido e das chuvas intensas típicas do inverno amazônico, que dificultam a propagação do fogo.
Comparativo com os Anos Anteriores
Em 2025, o Acre obteve uma redução impressionante de quase 100% no número de queimadas durante os primeiros quatro meses do ano, encerrando o período com apenas 2.184 focos, o menor índice registrado em mais de duas décadas. Essa cifra representa uma queda de 75% em comparação a 2024, quando foram contabilizados mais de 8 mil focos. No entanto, o início de 2025 chamou atenção por ter registrado 43 focos em janeiro, o maior número já observado para o mês desde o início da série histórica do Inpe, em 1998.
À medida que as chuvas aumentaram em fevereiro, os registros começaram a cair e, em março, já não havia focos detectados. Nessa época, Roraima se destacou entre os estados da região Norte, apresentando o maior número de ocorrências no Brasil, com 602 focos registrados.
Impactos das Condições Climáticas
A variação na quantidade de focos de queimadas está fortemente ligada às condições climáticas do Acre. Em março de 2026, a capital do estado, Rio Branco, acumulou 366,8 milímetros de precipitação, cerca de 33% acima da média histórica para o mês. Esse volume elevado contrastou com fevereiro, onde foram registrados apenas 114,4 mm, correspondendo a 38,1% dos 300,1 mm esperados.
Os dados ressaltam também a ocorrência de cheias em diversos municípios, o que levou o governo a decretar situação de emergência em cidades como Cruzeiro do Sul e Tarauacá, devido à elevação dos níveis dos rios provocada pelas chuvas intensas. Essa combinação de chuva e umidade contribui para a manutenção dos índices reduzidos de queimadas, especialmente no começo do ano.
Perspectivas Futuras
Historicamente, a maior incidência de queimadas no Acre ocorre a partir do segundo semestre, quando o verão amazônico se estabelece, trazendo consigo a diminuição das chuvas e o aumento nas práticas de limpeza de áreas com o uso do fogo. A expectativa, segundo o histórico do Inpe, é que a quantidade de focos comece a aumentar gradativamente nos próximos meses, à medida que o período de estiagem avança na região.
Além disso, considerando todo o bioma amazônico, que inclui estados como Amazonas, Pará e Rondônia, foram registrados até março de 2026 um total de 9.376 km² de área queimada. As autoridades e especialistas seguem monitorando atentamente essa situação, reforçando a importância da conservação ambiental e das práticas sustentáveis no manejo das florestas.
