Um Aniversário Marcante
No último sábado (7), o Partido dos Trabalhadores (PT) comemorou 46 anos de sua fundação em um evento realizado em Salvador. O encontro contou com discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Edinho Silva, presidente nacional do partido, que enfatizaram a necessidade de convocar a militância, promover a união e reconquistar o projeto político visando as eleições de 2026. No Acre, a celebração foi associada ao legado de Chico Mendes e aos 20 anos da Frente Popular, que governou o estado de 1999 a 2018.
Durante o ato, Lula destacou que a próxima eleição será marcada por um verdadeiro embate entre narrativas e convocou a base partidária a se mobilizar. “Preparem-se. Essa eleição vai ser uma guerra e nós vamos ter que estar prontos para ela. Temos que ser mais ousados, porque eles são. Não podemos ficar em silêncio. Não há espaço para a imagem pacífica de Lulinha Paz e Amor”, afirmou o presidente, sublinhando que o partido precisa desenvolver um discurso político que apresente “um novo projeto para este país”. Além disso, Lula ressaltou que os resultados das políticas públicas não são suficientes para garantir uma vitória eleitoral, sendo a narrativa essencial nesse processo.
Fortalecimento da Base Partidária
No mesmo evento, Edinho Silva defendeu a importância do fortalecimento da formação política como um pilar da organização do PT. “Apenas filiar pessoas não é suficiente para construir o partido”, comentou, pedindo um investimento maior em reuniões de base e na formação de novas lideranças. De acordo com Silva, a eleição exigirá uma organização eficaz em todos os estados e municípios, além da construção de alianças firmes com um compromisso democrático.
No Acre, as celebrações também contaram com declarações de André Kamai, presidente estadual do PT e vereador em Rio Branco. Ao refletir sobre os 46 anos do partido, Kamai enfatizou que este é um momento que exige um retorno à combatividade e ao fortalecimento das bases sociais. “Ao completarmos 46 anos, a mensagem do presidente Lula é clara: não é hora de baixar a cabeça, mas de recuperar a combatividade que está no DNA do nosso partido. Aqui no Acre, honrar a memória de Chico Mendes e o legado transformador da Frente Popular não é viver no passado, mas usar nossa história como base para construir o novo. Nosso desafio continua sendo o fortalecimento de nossa base social, dialogando olho no olho com o povo, desde as cidades até as comunidades ribeirinhas e da floresta. Precisamos também apresentar um projeto futuro inovador e corajoso, demonstrando que o PT está vivo, renovado e pronto para liderar novamente o desenvolvimento com justiça social que o Acre merece”, declarou.
História do PT no Acre
A trajetória do PT no Acre está intimamente ligada ao movimento sindical dos trabalhadores rurais e à liderança de Chico Mendes nas décadas de 1970 e 1980. Este período foi caracterizado por conflitos agrários e manifestações conhecidas como “empates”, que buscavam combater o desmatamento e a expulsão de trabalhadores de suas terras. Mendes, um dos fundadores do partido no estado, foi um defensor da proposta de Reservas Extrativistas, unindo a reforma agrária à preservação ambiental. Após seu assassinato em 1988, o grupo político que o cercava se fortaleceu e, na década seguinte, estruturou a Frente Popular do Acre.
Em 1998, a coligação liderada pelo PT conquistou as eleições estaduais com Jorge Viana, iniciando um ciclo de governos que se estendeu por duas décadas. Entre 1999 e 2018, as gestões da Frente Popular implementaram o conceito de “Florestania”, que combinou políticas de infraestrutura, educação e incentivo à produção sustentável.
Durante os 20 anos da Frente Popular, o Acre experimentou uma verdadeira revolução econômica e social. O estado, que historicamente enfrentava o isolamento, alcançou taxas de crescimento do PIB que superaram a média nacional, como os 6,5% registrados em 2007, e quase duplicou a renda per capita na primeira década deste século. Esse desenvolvimento não só transformou a economia, mas também a educação, fazendo com que o Acre saísse das últimas posições para se tornar uma referência no Norte do Brasil, elevando o índice de desenvolvimento da educação básica (IDEB) de 3,3 (em 2005) para 5,8 (em 2019), provando que o modelo de “Florestania” era viável para gerar riqueza e conhecimento.
O compromisso do governo com a dignidade humana se concretizou no maior programa habitacional da história do estado, especialmente sob a gestão de Tião Viana, que entregou cerca de 14 mil casas para as camadas mais necessitadas. O projeto mais emblemático desse legado é a Cidade do Povo, um bairro planejado com infraestrutura completa que retirou inúmeras famílias de áreas de alagação. Além disso, obras estruturantes como o “Ruas do Povo” e a conexão definitiva da BR-364 ajudaram a estabelecer um padrão de gestão pública focado em garantir moradia digna e cidadania para todos os acreanos.
