Entraves Burocráticos e Mobilização Popular em Feijó
Em uma análise contundente sobre os protestos que resultaram na interdição da BR-364 em Feijó, o secretário de Governo do Acre, Luiz Calixto, afirmou nesta terça-feira (24) que as manifestações, ocorridas nos últimos dias, possuem um claro viés político. Em entrevista ao programa Boa Conversa – Edição Aleac, Calixto destacou que os atrasos na construção do hospital local não são diretamente atribuídos ao Estado, mas sim a entraves burocráticos impostos pela Caixa Econômica Federal, responsável pela gestão dos recursos do convênio firmado em 2013.
O bloqueio da rodovia, que se estendeu por dois dias (20 e 21 de fevereiro), foi motivado pela exigência de que a reforma do hospital fosse finalizada com urgência. Os manifestantes não apenas clamaram por celeridade na entrega da unidade, mas também pediram a presença do governador Gladson Cameli e da vice-governadora Mailza Assis, que não compareceram ao local da mobilização. Além de reivindicações, os participantes ofereceram refeições gratuitas aos motoristas e passageiros que ficaram retidos, com o auxílio de “pix solidários”, conforme relatou um dos integrantes do movimento.
A Burocracia e o Papel da Caixa Econômica
Durante a conversa, Calixto foi enfático ao afirmar que, por trás da mobilização, existe uma exploração política do tema, especialmente considerando o ano eleitoral. “Há um viés político por trás de todo o protesto. Isso é inegável”, disse ele, enfatizando indícios de articulação política, como financiamento de tendas, distribuição de marmitex e mobilização de servidores municipais para intensificar o movimento.
O secretário detalhou que a Secretaria de Obras do Estado tem trabalhado com rigor na execução do projeto, cuja implementação se tornou viável apenas nos últimos três anos. “Os recursos não são geridos pelo Estado do Acre, mas sim pela Caixa Econômica. Portanto, dependemos exclusivamente do processo burocrático da instituição”, esclareceu.
A obra do hospital começou em agosto de 2023 e tinha como previsão de conclusão abril de 2024. No entanto, enfrenta atrasos que superam um ano. Calixto informou que o titular da pasta de Obras, Ítalo Lopes, está em contato direto com a Caixa para assegurar a finalização da primeira etapa da obra, com a expectativa de transferir os atendimentos do hospital provisório para o novo prédio em abril. A segunda etapa será realizada com recursos próprios do Estado para evitar novos impasses.
Desafios Logísticos e Responsabilidade Governamental
Além das dificuldades burocráticas, o secretário também mencionou que fatores logísticos têm impactado o cronograma da construção. Ele citou como exemplo a demora na entrega de materiais específicos que não estão disponíveis no mercado local. “Os dutos requisitados pelo secretário de Obras há mais de três meses só foram entregues na semana passada pela empresa fornecedora de fora do Estado. Essas situações fogem do nosso controle”, comentou.
Calixto, embora reconhecendo a responsabilidade institucional do governo pela situação, criticou o uso político em torno do tema. “Assumimos a responsabilidade, mas muitos aproveitam o momento para fazer proselitismo político e tirar dividendos eleitorais”, afirmou. Ele ainda ressaltou que uma parte significativa dos atendimentos no hospital de Feijó deveria ser direcionada ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), que é de responsabilidade federal, ou à Atenção Básica, que compete à prefeitura.
“Apesar das dificuldades, não queremos atribuir culpas. Nossa intenção é resolver o problema de forma séria, transparente e sem que haja exploração política dessa situação”, finalizou o secretário, reiterando o compromisso do governo em atender as necessidades da população de Feijó e melhorar os serviços de saúde na região.
