Propostas para o Ensino de Medicina no Brasil
A educação em medicina no Brasil tem gerado um intenso debate entre especialistas e a sociedade em geral. O Ministério da Educação (MEC) precisa adotar uma postura mais rigorosa na avaliação dos cursos de medicina, considerando que a finalidade da profissão é, antes de tudo, salvar vidas. Isso implica a criação de avaliações periódicas e um sistema de descredenciamento para as instituições que não alcançarem as notas mínimas, além de uma maior colaboração das escolas com hospitais e centros de pesquisa.
Euler Antônio Vespúcio, de Formiga (MG), defende a padronização da infraestrutura educacional e a formação do currículo, enfatizando a importância de fiscalizações presenciais. Segundo ele, disciplinas que abordem ética, epistemologia e atendimento humanizado são imprescindíveis. Ele sugere a obrigatoriedade de uma residência em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), sob a supervisão de médicos concursados. Embora as avaliações periódicas, realizadas na metade e ao final do curso, sejam úteis, não resolvem completamente o problema. A inclusão de cotas e a oferta de vagas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) podem contribuir para uma formação mais equitativa.
A opinião de Ana Marques, de Jundiaí (SP), destaca a relevância de avaliações constantes nos cursos de medicina para que a sociedade saiba que os futuros médicos estão capacitados. “Se não houver essa avaliação, eles não poderão exercer a profissão”, argumenta. Já Gabriel A. B. Ventura, de São Paulo (SP), propõe que mais universidades públicas sejam criadas e que as faculdades privadas com desempenho insatisfatório sejam fechadas.
Para Mauricio Siqueira, de Itabira (MG), professor universitário há mais de 20 anos, a formação médica requer um trabalho em equipe e um compromisso sério na educação. Ele alerta que formar médicos é um desafio complexo e oneroso. É necessário um investimento em professores qualificados, laboratórios e atividades práticas que possibilitem o desenvolvimento do raciocínio clínico. Avaliações finais não são suficientes, sendo imprescindíveis avaliações externas após o ciclo básico e ao final do curso. Faculdades com baixo desempenho devem ser descredenciadas, pois muitos alunos se formam mal preparados e, ainda assim, recebem a licença para realizar procedimentos de alto risco. O foco nas disciplinas básicas como anatomia e ética, antes de entrar no ciclo de formação profissional, é crucial.
Luciano Neder, de Ribeirão Preto (SP), critica as instituições que se tornaram meros negócios, alertando que isso tem banalizado o curso de medicina. Para Maria José Guimarães Xavier, de Santa Maria da Vitória (BA), é vital melhorar o processo de seleção dos alunos e incluir a prática clínica desde o início da formação, assim como realizar provas práticas e teóricas durante o curso, além de garantir uma equipe docente qualificada.
Maria Iraci Barros de Sa Telles, de Barreiras (BA), recomenda a restrição à abertura de cursos de medicina que não atendam aos requisitos mínimos de infraestrutura e qualificação do corpo docente. Nadir Rodrigues Marcondes, de Ribeirão Preto (SP), enfatiza a importância de conscientizar os estudantes sobre a responsabilidade social que vem com a prática da medicina, ressaltando que muitos jovens ingressam no curso apenas pela busca de prestígio ou retorno financeiro.
Por fim, Elisabete C. Enobe, de São Paulo (SP), sugere que as faculdades estejam vinculadas a serviços hospitalares em tempo integral, e que atividades extracurriculares como atléticas e centros acadêmicos sejam limitadas em tempo. Nívio Neves Faria de Abreu, também de São Paulo, defende que o MEC deve exigir que todos os alunos realizem, pelo menos uma vez, procedimentos médicos básicos de emergência durante o curso.
