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    Empoderamento e Reinserção: Mulheres do Acre Transformam Vidas no Trabalho Judicial

    Empoderamento e Reinserção: Mulheres do Acre Transformam Vidas no Trabalho Judicial

    Acre 04/04/2026
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    Um Projeto que Transforma Vidas

    Com um brilho nos olhos e um sorriso contagiante, Ana Lídia, de 28 anos, não hesita em afirmar: “Isso aqui é oportunidade”. Ela se refere ao projeto “História e Memória”, uma iniciativa do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) que visa a gestão do acervo de processos físicos e, ao mesmo tempo, reintegra mulheres em situação de vulnerabilidade, incluindo egressas do sistema prisional e vítimas de violência doméstica. O projeto, que já está em atividade há um ano, representa uma união de esforços entre diversas políticas judiciárias do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Judiciário acreano. Essa ação se insere dentro do Programa Fazendo Justiça e Pena Justa, além de oferecer suporte através do Centro de Atenção às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (Ceavi).

    A proposta fundamental do projeto é garantir inclusão social e oportunidades às participantes. As mulheres contratadas desenvolvem atividades de descarte e digitalização de documentos, promovendo transformações significativas em suas vidas. Como destacou a juíza auxiliar da Presidência do TJAC, Zenice Cardozo, “mais que um projeto de gestão documental, é uma iniciativa de transformação social”. Ela ressalta a importância desse trabalho para a Administração Pública, afirmando que, ao cuidar da memória, também se está cuidando do futuro, que começa a ser construído no presente com dignidade e oportunidades.

    Desafios e Responsabilidades na Reinserção Social

    Ana Lídia compartilha sua jornada, que inclui quase três anos à procura de emprego após sua saída da prisão. “Quando eu saí, não vi oportunidades para mim aqui fora, para trabalhar. Comecei a estudar e vi que a escola me abraçava”, relata. Em 2021, Ana enfrentou dificuldades que a levaram a ser presa, mas em 2024, ao deixar o sistema prisional, sua vida começou a se transformar. Para participar do projeto, um dos critérios é a matrícula no Ensino Médio, uma forma de incentivar a continuidade dos estudos e a busca por novas chances. Ana sonha em ingressar na faculdade e cursar Pedagogia.

    Contente com a nova oportunidade, ela reconhece a grande responsabilidade que seu trabalho na Cidade da Justiça representa. “Estamos aqui para cumprir nossos deveres e responsabilidades. É gratificante poder acordar cedo e ir trabalhar; era tudo que eu queria”, confessa.

    Novas Oportunidades: Um Sonho Se Tornando Realidade

    No projeto, atualmente, sete mulheres estão contratadas e recebem bolsas de auxílio, com uma carga horária de quatro horas diárias, de segunda à sexta-feira. Elas passam por um treinamento que abrange desde a organização de documentos até a digitalização, onde aprendem sobre a catalogação e triagem do material. O processo de seleção das participantes é feito pelo Ceavi, que conta com indicações da equipe do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen/AC). A Coordenadoria de Gestão de Memória e Arquivos (Cogma) supervisiona as atividades executadas.

    Uma das novas contratadas é Lucilene Pereira da Silva, de 26 anos. Ela expressa sua incredulidade ao ter conseguido uma oportunidade na Cidade da Justiça. “Nunca acreditei que estaria trabalhando aqui. Pensava que, por ter passado pelo sistema, só teria acesso a serviços gerais”, diz Lucilene, que se mostra grata pela chance de transformar sua vida.

    Superando Barreiras e Construindo Futuros

    Embora as participantes enfrentem desafios, como estigmas sociais e a insegurança quanto ao futuro profissional após o término do contrato, a esperança prevalece. As mulheres permanecem no projeto por até dois anos ou até que concluam seus estudos, e muitas delas estão prestes a finalizar o Ensino Médio agora em junho. Patrícia Lopes Brito, de 43 anos, é uma das participantes que comemora a oportunidade. “Conseguir esse trabalho foi um sonho realizado. Sofri muito, mas hoje estou bem e sou grata por essa chance”, afirma. Para essas mulheres, o Projeto História e Memória vai além de um emprego; é uma porta aberta para um futuro mais promissor.

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