Promoção da Saúde e da Confiança na Comunidade
Quando se fala em segurança pública, muitos costumam pensar em viaturas patrulhando as ruas e ocorrências sendo atendidas rapidamente. No entanto, a real segurança vai muito além disso. Ela se constrói no dia a dia de quem vive sob constante tensão, frequentemente sem acesso adequado à saúde, sem locais de pertencimento e sem a certeza de que alguém se preocupa com seu bem-estar. Ignorar essa realidade é como tratar apenas o sintoma de uma doença, permitindo que ela avance sem controle.
Foi justamente essa percepção que tive ao visitar o bairro Calafate, em Rio Branco. Ali, presenciei o projeto Funcional, uma das iniciativas mais notáveis de policiamento comunitário, desenvolvido pela Polícia Militar do Acre (PMAC). Com poucos passos de casa, acompanhei uma das aulas e percebi que o que acontece ali vai muito além de simples atividade física. É uma comunidade se organizando em torno de algo que realmente lhes pertence.
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A sargento Hálida Prado, responsável pela condução do projeto, faz isso com uma combinação de rigor e sensibilidade notáveis. Atualmente, mais de 400 pessoas participam ativamente das atividades, sendo a maioria mulheres, distribuídas em pelo menos quatro bairros da capital. E o número de interessados aguardando por vagas é semelhante. Essa informação não deve ser vista como um mero detalhe; é uma evidência clara de uma demanda real que a PMAC soube identificar e atender.
O que o Funcional proporciona vai muito além de exercícios físicos. Ele oferece uma nova rotina, eleva a autoestima, melhora a saúde mental e, talvez o mais importante, estabelece um vínculo essencial entre a polícia e a comunidade: a confiança. Para muitas participantes, esse é o único espaço estruturado de autocuidado disponível. Além disso, retirar essas pessoas do isolamento também é uma forma de prevenção, não apenas em relação ao crime, mas também às condições que frequentemente o alimentam.
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A literatura sobre segurança pública enfatiza, há várias décadas, o que os dados criminais corroboram: áreas com coesão social apresentam índices de violência significativamente menores. O policiamento comunitário eficaz não se limita a responder a problemas; ele é fundamental na criação de condições que minimizam a necessidade de reações.
Ao manter iniciativas como o projeto Funcional, a Polícia Militar do Acre não está fazendo um favor à comunidade. Está, na verdade, cumprindo sua missão de forma inteligente e comprometida: proteger. E proteger, quando feito com seriedade e empatia, é também um ato de cuidar.
