Iniciativa do PAA para Comunidades Extrativistas
A Secretaria de Estado de Agricultura do Acre (Seagri) deu um passo importante ao iniciar a implementação de uma nova modalidade do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), especialmente voltada para as comunidades extrativistas do estado. Essa iniciativa busca beneficiar aproximadamente 280 produtores, distribuídos em cinco reservas extrativistas. O programa representa uma esperança renovada para os extrativistas locais, proporcionando uma nova forma de escoar sua produção.
A execução do programa está sob a coordenação da Seagri e conta com recursos provenientes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O projeto é realizado em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (SEE) e o ICMBio, além do suporte da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH). Essa articulação garante um suporte sólido e abrangente às comunidades que dependem dessa ação.
No momento, o programa encontra-se na fase inicial de identificação e cadastramento dos produtores e das unidades recebedoras. Um dos focos principais é a atenção às comunidades localizadas em áreas de difícil acesso, onde o transporte ocorre, predominantemente, por vias fluviais. Nesses locais, as escolas se tornam pontos-chave de entrega, facilitando o escoamento da produção local e garantindo que os alimentos cheguem a quem mais precisa.
Comunidades Beneficiadas e Produtos
A ação do PAA abrange moradores de várias reservas extrativistas, como Chico Mendes, Cazumbá-Iracema, Alto Rio Tarauacá, Riozinho da Liberdade e Alto Juruá. Isso inclui municípios como Xapuri, Brasileia, Epitaciolândia, Capixaba, Assis Brasil, Sena Madureira, Manoel Urbano, Jordão, Tarauacá, Cruzeiro do Sul e Marechal Thaumaturgo. A amplitude geográfica da ação demonstra o compromisso em alcançar as comunidades que muitas vezes ficam à margem das políticas públicas.
Com um modelo semelhante ao do PAA Indígena, essa nova modalidade expande o alcance das políticas públicas ao integrar os extrativistas, incentivando práticas de produção sustentável. Ao todo, o programa deve adquirir 78 tipos diferentes de produtos, incluindo itens da sociobiodiversidade, como açaí e buriti, além de proteínas de origem animal. Essa diversidade de produtos reflete a riqueza das reservas extrativistas do Acre e a importância de valorizá-los.
O chefe da Divisão de Apoio à Produção Familiar da Seagri, Igor Honorato, comentou sobre a proposta, que resulta de uma colaboração entre o MDS e o ICMBio. Ele destacou a importância de atender as populações que habitam as unidades de conservação. “O objetivo é garantir renda aos extrativistas por meio da compra de sua produção. Os alimentos adquiridos serão utilizados para abastecer as escolas das próprias comunidades. Isso não apenas garante a geração de renda, mas também contribui para a segurança alimentar e nutricional da população extrativista”, explicou Igor.
Expectativas e Impactos da Iniciativa
A secretária de Agricultura, Temyllis Silva, também enfatizou o valor dessa iniciativa, que visa aumentar o acesso das comunidades extrativistas às políticas públicas e valorizar a produção local. “Estamos trabalhando para fortalecer esse público, que enfrenta dificuldades de acesso às políticas públicas. Nossa intenção é garantir que esses produtores sejam contemplados, valorizando seu trabalho e contribuindo para o desenvolvimento das comunidades”, afirmou Temyllis.
A expectativa é que o cadastramento seja finalizado nas próximas semanas, com o início das entregas programado para maio. Essa ação é vista como um passo significativo para o fortalecimento econômico e a garantia da segurança alimentar das famílias extrativistas no Acre. Com a implementação do programa, espera-se que as comunidades possam não apenas sustentar suas famílias, mas também prosperar, tornando-se protagonistas na valorização de seus recursos locais.
