Palestra Promove Iniciativas em Saúde Mental no TJAC
O Poder Judiciário do Estado do Acre (TJAC) está dando passos significativos na implementação de sua Política de Saúde Mental, que tem como objetivo fortalecer o cuidado com a saúde psicológica no ambiente de trabalho. No último dia 3, ocorreu no auditório da Escola do Poder Judiciário (Esjud) a palestra intitulada “Equilíbrio que Transforma: Saúde Mental como Projeto Coletivo”, em parceria com a empresa J.Ex.
O evento contou com a participação de Leandro Mattos, docente da SingularityU Brasil, especializado em Neurociências e Tecnologia, e da psicóloga Andressa Roveda. Durante a apresentação, magistrados, servidores e colaboradores puderam conhecer as próximas etapas da gestão focadas na melhoria da saúde mental dos funcionários.
A abertura da palestra foi feita pelo secretário-geral do TJAC, Junior Martins, que enfatizou a nova fase do projeto e a importância do envolvimento de todos para o sucesso das iniciativas propostas. Em suas palavras, ele destacou que as ações são pensadas para promover o bem-estar coletivo dentro da instituição.
“O Programa de Assistência à Saúde Mental do TJAC é recente e inovador. Embora outros tribunais desenvolvam iniciativas semelhantes, o nosso formato se destaca. O Judiciário do Acre tem avançado ao unir práticas concretas ao suporte de profissionais especializados, que podem diagnosticar e ajudar a enfrentar problemas de saúde mental. A participação de todos é essencial, pois a saúde mental é individual e requer o comprometimento de cada um. O nosso grande desafio é construir um Poder Judiciário saudável, pronto para lidar com as demandas diárias”, afirmou Martins.
Iniciativa Inédita: Projeto Equilibra
A palestra integra o projeto tecnológico Equilibra, uma iniciativa sem precedentes em termos de abrangência e estrutura, voltada ao bem-estar emocional de magistrados, servidores e colaboradores do Judiciário acreano. O projeto, desenvolvido em parceria com a J.Ex, combina tecnologia, inteligência artificial e metodologias inovadoras, seguindo as diretrizes da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) e da Lei Federal nº 14.831/2024, que cria o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental. O Equilibra ficou conhecido após a realização de uma audiência pública voltada ao público interno e a publicação da Resolução nº 336.
Durante a apresentação, Leandro Mattos detalhou que a nova fase do projeto incluirá conversas semanais com a equipe de liderança, além de coleta de informações através de ferramentas tecnológicas reconhecidas internacionalmente. Uma das ferramentas em destaque é o Protocolo de Copenhague (COPSOQ), reconhecido mundialmente como padrão ouro na avaliação de riscos psicossociais no trabalho.
“O COPSOQ é uma ferramenta globalmente validada que permite a comparação de resultados entre diferentes segmentos, ampliando a capacidade de análise e de tomada de decisões”, enfatizou Mattos.
Além disso, a coleta de dados será realizada por meio de um chatbot, projetado com protocolos de saúde para identificar indicadores de estresse, ansiedade e depressão. “O chatbot desempenha uma função informativa, permitindo que o usuário compreenda, em nível de triagem, sua saúde mental. O processo é totalmente anônimo e alimenta um painel gerencial, possibilitando à liderança do projeto uma alocação inteligente de recursos, por unidade e área, o que favorece ações específicas e mais eficazes”, detalhou.
Capacitação das Lideranças e Atualização Normativa
Após essa fase inicial, nas duas semanas seguintes, estão programadas atividades práticas com as lideranças, com o intuito de capacitá-las tanto no uso das novas tecnologias quanto na gestão das situações identificadas a partir dos dados coletados. Além disso, será promovida uma melhor compreensão sobre as atualizações da NR-1.
“A NR-1, anteriormente, abordava principalmente questões físicas, operacionais e econômicas. Hoje, inclui fatores psicossociais, o que gerou muitas dúvidas em instituições e empresas, já que envolve indicadores qualitativos. A ausência de dados claros sobre aspectos como estresse colocava tanto a instituição quanto o servidor em situações de vulnerabilidade. O programa Equilibra foi desenvolvido para preencher essa lacuna e alinhar a prática institucional às exigências da norma”, concluiu Mattos.
