Ações Estratégicas para o Comércio Exterior no Acre
No dia 4 de outubro, a Câmara Técnica do Comércio Exterior, vinculada ao Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre, realizou um encontro crucial para definir o planejamento estratégico que guiará as atividades do setor nos próximos três anos, abrangendo o período de 2026 a 2029. A reunião, que ocorreu na sede da Federação das Indústrias (Fieac), em Rio Branco, contou com a participação de representantes de diversas áreas, incluindo governo, setores empresariais e agências de fomento. O objetivo principal é fortalecer a presença internacional do estado e aumentar as transações comerciais com o exterior.
O encontro reuniu representantes do governo acreano, por meio das secretarias de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict), Planejamento (Seplan) e da Agência de Negócios do Acre (Anac), além do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e da Associação Comercial, Industrial, de Serviço e Agrícola (Acisa). Também marcaram presença empresários e representantes das áreas de logística, turismo e investimentos, refletindo a diversidade de interesses envolvidos no fortalecimento do comércio exterior.
O planejamento parte de um cenário otimista para o comércio exterior do Acre, que registrou exportações da ordem de US$ 87 milhões em 2024. A meta ambiciosa é dobrar esse valor até 2029, atingindo US$ 174 milhões. Para isso, o projeto se baseia em oito eixos estratégicos: gestão e monitoramento, avaliação de resultados, sensibilização, capacitação empresarial, geração de oportunidades de negócios, uso de soluções tecnológicas, promoção de eventos e orientação às empresas locais. Os setores prioritários incluem produtos da bioeconomia, alimentos, bebidas e iniciativas da economia criativa, alinhadas às atuais tendências de consumo sustentável.
Integração e Oportunidades no Comércio Exterior
A base do plano foi elaborada a partir dos resultados positivos obtidos em missões empresariais e rodadas de negócios realizadas em 2025, que geraram mais de R$ 4,3 milhões e evidenciaram a viabilidade econômica do modelo proposto para a internacionalização da produção acreana. Um dos eixos da proposta visa ampliar a integração logística com países vizinhos, como Peru e Bolívia, através da Rota Quadrante Rondon, diversificando a pauta exportadora e fortalecendo a cooperação institucional. Além disso, as ações buscam consolidar a competitividade das empresas locais nos mercados internacionais.
Segundo Assurbanípal Mesquita, titular da Seict, o planejamento estratégico será coordenado pelo governo do estado em colaboração com o Sebrae. Ele enfatizou que o comércio exterior deixou de ser uma pauta secundária e agora ocupa um papel crucial no desenvolvimento do Acre. “O Acre vive um novo momento. Os resultados das exportações demonstram consistência e, agora, é fundamental estruturar políticas públicas que ampliem esses resultados, reduzam obstáculos e criem condições para que mais empresas acessem o mercado internacional com segurança”, afirmou Mesquita.
Aldemar Maciel, coordenador do Projeto de Internacionalização do Sebrae no Acre, destacou o crescimento significativo das exportações nos últimos anos, com um aumento superior a 90% em 2024 em comparação a 2023. Para ele, o planejamento estabelece as bases para uma atuação mais coordenada. “Estamos focados na organização das ações estratégicas e na capacitação das empresas para que aproveitem o cenário favorável. Essa abordagem integradora deve acelerar o processo continuamente e de forma estruturada”, ressaltou.
Perspectivas Futuras e Oportunidades em Acordos Comerciais
Outras ações discutidas durante a reunião incluem a reativação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE), a realização de missões comerciais, o fortalecimento da cultura exportadora entre pequenos e médios produtores, e a ampliação do acesso das empresas acreanas a programas nacionais de promoção comercial. Também foram abordadas as oportunidades geradas pelo acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, um fator considerado chave para ampliar a visibilidade dos produtos brasileiros em novos mercados internacionais.
