Desemprego e Setores em Queda
No início de 2026, o Acre registrou a perda de 892 postos de trabalho, conforme os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta terça-feira (3). Este é o quarto mês consecutivo em que o estado enfrenta mais demissões do que contratações, um cenário que vem preocupando os trabalhadores e autoridades locais.
Em janeiro, foram contabilizadas 3.810 novas contratações, enquanto o número de demissões alcançou 4.702. Apesar dessa redução no mercado de trabalho, o total de vínculos ativos se manteve em um nível relativamente estável, com 114.928 empregos formais registrados. A maior parte dos trabalhadores está inserida no setor de serviços, que abriga mais de 60 mil profissionais.
Entretanto, é importante destacar que esse desempenho negativo representa uma queda de 2,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando foram criados 3.905 empregos com carteira assinada, enfatizando a fragilidade atual do mercado de trabalho no Acre.
Setores em Declínio
Entre os setores, o serviço foi o que mais sentiu a perda de vagas, acumulando 715 postos a menos somente em janeiro. O comércio também não ficou atrás, com uma perda de 158 postos. Por outro lado, a indústria apresentou um desempenho positivo, gerando 35 novas vagas, o que contrasta com a situação dos outros setores.
O estado já havia mostrado sinais de alerta no ano anterior, interrompendo em outubro uma sequência de oito meses de geração de empregos. Desde então, as demissões têm superado as contratações, com uma perda de 172 vagas naquele mês, seguida por 74 vagas perdidas em novembro e 461 postos a menos em dezembro.
Perspectivas para o Futuro
Enquanto a situação do emprego no Acre se agrava, o cenário para o resto do Brasil mostra um desempenho misto. Em janeiro, o Brasil gerou 112,3 mil empregos formais, embora esse número seja o pior para o primeiro mês do ano desde 2023, quando foram abertas apenas 90,09 mil vagas. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, expressou otimismo em relação à recuperação do mercado, sugerindo que, se a taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, for reduzida, o país pode se aproximar ou até superar a geração de empregos do ano anterior, que totalizou 1,27 milhão de novas vagas.
“Acredito que o juro vai baixar, permitindo o crescimento da economia. Não faz sentido pensar em crescimento de juros”, comentou Marinho, ressaltando a importância de políticas monetárias mais favoráveis para estimular o emprego. A situação do Acre, portanto, não é um fenômeno isolado, mas reflete uma tendência que pode ser observada em diversas regiões do país.
