O Avanço da Presença Feminina na Polícia Militar do Acre
A trajetória da participação feminina na segurança pública é marcada por coragem e resistência. A presença de mulheres na Polícia Militar do Acre (PMAC) vem se consolidando, embora, em tempos passados, a farda era um território predominantemente masculino. Neste Mês da Mulher, histórias inspiradoras de policiais como a coronel Margarete de Oliveira, a soldado Jucyellen Lima do Nascimento e a aspirante Lourdes Sampaio ilustram a transformação que a atuação feminina trouxe para a corporação nas últimas quatro décadas.
A vice-governadora do Acre, Mailza Assis, ressalta a importância de aumentar a participação feminina nas forças de segurança. “Fortalecer a presença feminina na segurança pública é vital para instituições mais robustas e representativas da sociedade. As mulheres oferecem sensibilidade e habilidades de diálogo, fundamentais para a prevenção da violência e para a construção de uma relação de confiança com a população”, afirma.
Além disso, ela encoraja as mulheres a perseguirem carreiras na segurança pública: “Vocês possuem competência, preparo e determinação para ocupar esses espaços. A presença feminina nas forças de segurança é um avanço social, inspirando futuras gerações a acreditar que o lugar da mulher é na linha de frente da proteção da população”.
Pioneiras na Corporação
A inserção feminina na Polícia Militar do Acre teve início oficial em 1985, quando a corporação abriu suas portas para mulheres. Entre as cinco aprovadas estava Margarete de Oliveira Melo, que anos depois tornou-se coronel. Formada no Rio Grande do Sul, ela fez história como a primeira oficial feminina do estado, conquistando marcos significativos ao longo de sua carreira, como ser a primeira aspirante, tenente e capitã da PMAC.
“Quando nós entramos, a profissão era quase exclusivamente masculina, e a recepção não foi das melhores. Foram anos lutando para conquistar nosso espaço. Nem todos aceitavam a presença feminina no quartel”, recorda Margarete, que também foi a primeira mulher a dirigir uma viatura da corporação e a comandar um batalhão.
Hoje atuando no Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) em projetos de inclusão, ela compartilha uma mensagem para as novas gerações: “Não desistam de seus sonhos. Se tivesse que refazer tudo, faria novamente. Não é necessário ter músculos para alcançar seus objetivos. Acreditem no seu potencial, ele é ilimitado”.
Desafios e Avanços na Corporação
Atualmente, as mulheres representam cerca de 13% do efetivo da PMAC, que conta com aproximadamente 2.340 policiais, sendo 302 mulheres. A coronel Marta Renata Freitas, comandante-geral da corporação, destaca que essa realidade se alinha com dados nacionais sobre a presença feminina nas forças de segurança, que também permanece abaixo de 13%.
“Embora a participação feminina ainda seja pequena em termos numéricos, é um avanço significativo se compararmos ao início da inserção das mulheres na corporação”, observa a comandante, que também reconhece que as policiais enfrentam desafios estruturais devido à formação histórica das instituições militares.
A unificação de quadros de homens e mulheres, ocorrida apenas em 1998, permitiu que as mulheres disputassem os mesmos cargos. “Por muito tempo, as mulheres foram vistas como corpos estranhos dentro da estrutura. Somente em 2022 recebemos uniformes e coletes adequados ao nosso corpo. Mudanças são importantes, mas as barreiras culturais demandam tempo para serem superadas”, ressalta.
Novas Gerações e Desempenho Operacional
Com a nova fase da PMAC, a presença feminina tem se ampliado em áreas operacionais. A soldado Jucyellen Lima, que se destacou como a única mulher a concluir o curso mais recente de Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), compartilha sua experiência: “O curso foi desafiador, exigindo preparo físico e psicológico. Hoje, a aceitação da presença feminina em unidades especializadas é maior, e há incentivo para que mulheres se qualifiquem”.
Aspirante Lourdes Sampaio também reflete sobre a sua jornada. A formação exigiu dedicação intensa e renúncias pessoais, mas a presença de mulheres na corporação, segundo ela, enriquece a gestão: “A diversidade de experiências fortalece nossas decisões e aprimora o trabalho realizado pela polícia”.
Assim, a história da presença feminina na Polícia Militar do Acre se transformou de uma luta de pioneiras em um movimento contínuo de qualificação e reconhecimento. As trajetórias de Margarete, Jucyellen e Lourdes, no Mês da Mulher, exemplificam não apenas os desafios enfrentados, mas também os avanços significativos rumo à igualdade e ao protagonismo feminino nas forças de segurança.
