Uma visita ao Memorial JK
Assistir a uma minissérie sobre Juscelino Kubitschek é mais do que um mero entretenimento; é uma imersão na história do Brasil. Após dias de reflexão, decidi convidar minha família para aproveitar um típico domingo e explorar um dos marcos da capital: o Memorial JK.
Ao lado de Cassiano e dona Edir Marques, embarcamos em uma visita despreocupada, movidos pela curiosidade e o desejo de compreender melhor a figura de um homem que se dispôs a transformar o Brasil. Resido em Brasília, mas sou originária do Acre, o que me proporciona um olhar fascinante sobre essa cidade ímpar. Brasília, com seu horizonte amplo e arquitetura única, ainda me surpreende e exige atenção.
A capital do país não se impõe de imediato; ao contrário, revela-se com o tempo, como uma pessoa reservada. É preciso paciência para entender seu ritmo e sua beleza. Com isso em mente, o Memorial JK tornou-se um espaço de conexão e reflexão.
Uma História de Amor e Ousadia
Ao entrar no memorial, fui envolvida por uma narrativa que ultrapassa a trajetória de um presidente. Trata-se da representação de uma visão de Brasil que almejou uma grandeza ímpar. Passeei por relíquias que falam de sonhos e da luta por um país melhor, reunindo vitrines, palavras e silêncios que ecoam sua história.
Mais do que isso, percebi que o memorial é uma verdadeira história de amor, dedicada a Sara Kubitschek, uma mulher notável que sustentou o legado de seu marido sem buscar reconhecimento. A existência deste espaço é um tributo ao amor e à memória, mostrando que a preservação de nossa história é uma tarefa que deve ser feita com carinho.
O memorial vai além de um simples acervo histórico; ele é um gesto que une o íntimo e o público. O ambiente está cuidadosamente organizado, refletindo a ternura com que a memória de JK é tratada. A figura de Juscelino aparece completa: médico, político, sonhador e ousado, que acreditou na necessidade de um movimento interno para o Brasil.
Reflexões sobre Brasília e seu Legado
A construção de Brasília não foi apenas sobre erguer prédios em um deserto; foi uma demonstração de coragem que, nos dias atuais, parece tão escassa. O Memorial JK, assim como a cidade que ele representa, é moderno e, ao mesmo tempo, suscita polêmicas e desconfianças. No entanto, é também um lugar que se revela àqueles que aprenderam a olhar com calma.
Recentemente, soube que o memorial é administrado pela neta de JK, Anna Christina Kubitschek, o que trouxe um alívio à minha alma. Quando a memória é mantida dentro da família, ela adquire uma nova dimensão, não se tornando apenas um objeto de museu, mas sim um elo afetivo em movimento.
Durante minha visita, tive o privilégio de conhecer Euricles Oliveira, o seu Euri, um guardião discreto que cuida do acervo da biblioteca de JK desde 1981. Ele me contou sobre a coleção rara de Shakespeare, um presente da rainha Elizabeth II. A paixão e o orgulho com que ele fala do acervo transmitem o quão essencial é o amor pelo que se faz.
O Valor das Memórias e Legados
Visitas a locais como o Memorial JK são mantidas vivas por pessoas que valorizam o que têm em mãos. Os recepcionistas do memorial não apenas recebem visitantes; eles são parte da história que compartilham, defendendo-a e preservando-a. Essa relação é emocionante e mostra como um lugar pode ser repleto de vida.
Ao deixar o memorial, senti que havia vivido um domingo especial, um dia que ensinou sem impor lições. A trajetória de JK, do médico que se tornou político ao presidente que ousou sonhar, traz um significado profundo, especialmente para aqueles que, como eu, vêm de Estados e realidades distantes do centro do poder.
Para mim, Brasília não é apenas uma capital; é um símbolo do potencial do Brasil de se reorganizar, mesmo frente às adversidades. O legado de JK vai além da cidade que ele ajudou a construir; é uma afirmação de que o país pode ser maior do que suas barreiras geográficas, políticas e emocionais.
Esse pensamento é reconfortante. Para quem vive em Brasília sem ter suas raízes aqui, a mensagem é clara: há um desejo de tentar, de acreditar. JK acreditou no Brasil sinceramente, e eu também sigo acreditando, um passo de cada vez, aos poucos, um domingo após o outro.
