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    Investigações Policiais em Pernambuco Intensificam Conflito entre João Campos e Raquel Lyra

    Investigações Policiais em Pernambuco Intensificam Conflito entre João Campos e Raquel Lyra

    Política 27/01/2026
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    Monitoramento e Conflito Político em Pernambuco

    A recente investigação da Polícia Civil, que teve como alvo o secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro, acirrou ainda mais a tensão entre o prefeito João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD). O embate se intensifica à medida que se aproximam as eleições em Pernambuco, marcadas para outubro. Enquanto a administração de Campos classifica as ações da polícia como um “uso eleitoral”, a Secretária de Defesa Social, sob o comando de Lyra, defende que o monitoramento, que iniciou após uma denúncia anônima, foi conduzido de maneira legal.

    De acordo com informações, Monteiro foi monitorado por agentes policiais entre agosto e outubro de 2025. Os policiais acompanharam sua rotina em veículo, compartilhando dados em um grupo de mensagens, onde delegados também estavam presentes. Para agravar a situação, uma foto de Monteiro foi compartilhada com a descrição de que ele era o “alvo da missão”. A revelação do caso foi feita pela TV Record no último domingo.

    Rastreamento e Suspeitas de Corrupção

    Os policiais civis seguiram um carro utilizado tanto por Monteiro quanto por seu irmão, Eduardo, que também acabou sendo alvo do monitoramento. Em setembro, um dispositivo rastreador foi colocado no automóvel, estacionado próximo a um mercado onde Eduardo, que atua como assessor na prefeitura, fazia suas compras.

    Mensagens obtidas pela emissora indicam que o veículo seguia uma rotina fixa: “Bom dia. Rotina do veículo se repetiu pela manhã. Veículo chega à prefeitura às 8 horas. Entra na garagem do subsolo e sai muito rapidamente, apenas com o motorista”, relatou um dos agentes no grupo de comunicação.

    A Polícia Civil de Pernambuco confirmou que a operação intitulada “Nova Missão” foi iniciada após a denúncia anônima sobre supostos pagamentos de propina a um servidor público do Recife. No entanto, como não foram encontradas evidências concretas, um inquérito não foi instaurado. As autoridades enfatizam que o procedimento seguido foi regular e negam qualquer irregularidade na ação.

    Defesa e Críticas ao Procedimento Policial

    Em nota, a Polícia Civil justificou que, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), denúncias anônimas não autorizam a abertura imediata de inquérito, servindo apenas como ponto de partida para investigações. A determinação inicial foi a movimentação do veículo em questão, com o objetivo de averiguar a veracidade da denúncia.

    Na segunda-feira, o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, defendeu a legalidade da conduta da Polícia Civil, afirmando que não houve necessidade de autorização judicial para a instalação do rastreador no carro. Por outro lado, a prefeitura do Recife se manifestou, repudiando o que considera um uso indevido das forças policiais de Pernambuco para fins políticos, descrevendo o ato como “ilegal, inconstitucional e imoral”.

    O advogado de Monteiro, Eduardo Trindade, solicitou à Polícia Civil uma cópia do procedimento adotado na investigação: “Queremos esclarecer se a investigação foi formal ou informal. O procedimento normal após uma denúncia é instaurar uma verificação preliminar dentro do sistema da polícia. Um delegado precisa registrar um boletim de ocorrência, seja na investigação preliminar ou em um inquérito”, explicou.

    Parlamentares ligados ao grupo político de João Campos também criticaram abertamente a conduta da Polícia Civil. A vice-líder do governo Lula na Câmara, deputada federal Maria Arraes (Solidariedade), descreveu a ação como “inadmissível” e comparou o episódio a um caso de espionagem. O deputado estadual Sileno Guedes, líder do PSB na Assembleia Legislativa de Pernambuco, fez eco ao sentimento de repúdio, afirmando que a “Polícia Civil de Pernambuco vem sendo utilizada para espionar adversários”.

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