Investigação sobre Acervo Cultural de Chico Mendes
O Ministério Público do Acre (MP-AC) instaurou um procedimento para averiguar as condições de armazenamento e preservação do acervo cultural do icônico ambientalista Chico Mendes. A ação foi formalizada por meio de uma portaria publicada no Diário Eletrônico do MP-AC na última quarta-feira (28), prevendo uma investigação inicial com duração de até 90 dias.
A iniciativa surgiu após a chegada de informações que indicavam a necessidade de apurar a situação do acervo, que possui grande importância histórica e cultural. A preservação desse material é um direito garantido pela Constituição Federal, especificamente no artigo 129, que reforça a responsabilidade do Estado e da sociedade pela conservação do patrimônio cultural.
Chico Mendes, assassinado em 1988, é uma figura central na luta ambientalista no Acre e no Brasil. Sua casa, localizada em Xapuri, permanece como um importante espaço de memória e é frequentemente visitada por admiradores de seu trabalho.
Esclarecimentos da Família de Chico Mendes
A viúva de Chico Mendes, Ilzamar Mendes, ressaltou que o procedimento do MP-AC não se refere aos itens pessoais do ambientalista, que permanecem sob a guarda da família. Em declaração ao g1, Ilzamar confirmou que foi acionada pelo MP-AC para fornecer esclarecimentos e enfatizou a separação entre o acervo pessoal e o patrimônio cultural em questão.
“Quando fui chamada pelo Ministério Público, eu expliquei que o acervo pessoal do Chico é da família e continua com a família. A casa não está abandonada; está aberta, funcionando e recebendo visitantes. O que está sendo apurado é outro material, diferente do acervo pessoal do meu marido,” disse Ilzamar, defendendo a integridade da memória do ambientalista.
A Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) também se pronunciou, informando que não possui responsabilidades sobre o acervo de Chico Mendes. O diretor de Patrimônio Histórico da fundação, Ítalo Facundes, reiterou que não existe documentação comprovando que o acervo tenha sido oficialmente transferido para a instituição. Ele também mencionou que materiais anteriormente expostos em espaços da FEM não fazem parte do acervo original do ambientalista.
Preocupações com a Preservação Cultural
Angela Mendes, filha de Chico Mendes e presidenta do Comitê Chico Mendes, comentou que a investigação do MP-AC se originou de uma preocupação persistente sobre o que ela descreve como um ‘apagamento cultural’ no estado. Durante uma conversa institucional, Angela expressou a ausência de espaços de memória relacionados ao legado de seu pai.
“O que desencadeou esse procedimento foi a nossa preocupação com o apagamento cultural do estado. A Biblioteca da Floresta já foi um espaço importante, com uma exposição permanente sobre ele, e precisamos garantir que a memória dele não seja esquecida,” afirmou Angela, destacando a relevância da Biblioteca na promoção da história e da cultura dos povos tradicionais do Acre.
“A Biblioteca da Floresta era um espaço extremamente rico, com diversas dimensões. As pessoas podiam pesquisar, havia espaços lúdicos, exposições permanentes. Era um conceito muito incrível,” completou.
Legado de Chico Mendes
A casa de Chico Mendes, localizada em Xapuri, foi reinaugurada em 2023 após passar cinco anos fechada para reformas. O local também abriga a maior reserva extrativista do Acre, que leva o nome do ativista. Reconhecido internacionalmente, Chico Mendes é lembrado como um defensor da preservação ambiental e dos direitos dos seringueiros. Seu legado continua a ser mantido por seus filhos e por meio das atividades do Comitê Chico Mendes.
Infelizmente, a vida de Chico Mendes foi interrompida de maneira trágica em 22 de dezembro de 1988, quando foi assassinado com um tiro de escopeta, apenas uma semana após comemorar seu 44º aniversário.
