Regulamentação e Impacto na Saúde Pública
A lei que autoriza o internato de estudantes de medicina formados em universidades do exterior na rede estadual do Acre foi oficialmente publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) nesta quinta-feira, dia 19. A sanção do governador Gladson Camelí (PP) ocorreu na última sexta-feira, dia 13, e marca um passo significativo na formação de médicos no estado.
O projeto de lei, de autoria do deputado Pablo Bregense (PSD), recebeu aprovação na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) em 10 de dezembro do ano passado. Com a nova legislação, está prevista a necessidade de regulamentação dentro de um prazo de 90 dias por parte do governo estadual, a qual definirá as diretrizes para a entrada dos estudantes na rede pública de saúde do Acre.
Em contato com a assessoria de imprensa do Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC), foi informado que o órgão está em recesso, mas uma manifestação sobre a nova lei deve ocorrer em breve. Segundo a assessoria, “esse tema já está em pauta para discussão em diretoria”, destacou um representante do CRM-AC.
A nova legislação representa uma mudança significativa para alunos que buscam formação fora do Brasil. Agora, com a sanção da lei, esses estudantes poderão realizar seu internato em hospitais no Acre, conforme detalhado na divulgação do governo.
Objetivos da Nova Legislação
O projeto inclui em sua justificativa a necessidade de “otimizar a formação desses estudantes, garantir o aprimoramento da saúde pública local e atender à crescente demanda por profissionais de saúde” no estado. A proposta visa abordar a realidade de muitos estudantes brasileiros que buscam educação em medicina em instituições internacionais, frequentemente devido à escassez de vagas nos cursos disponíveis no Brasil.
Além disso, a legislação reconhece que muitos desses formandos têm a intenção de retornar ao Brasil para completar o internato, que é um componente essencial para a conclusão do curso e a obtenção do título de médico. A questão da formação médica se torna ainda mais relevante à luz da carência de profissionais de saúde qualificados no Acre, especialmente em áreas mais distantes e em condições precárias.
Controvérsias Sobre a Implementação
No entanto, a nova lei não está isenta de controvérsias. Em 2025, a presidência do CRM-AC havia recomendado que a Secretaria de Saúde do Acre não autorizasse o internato de estudantes provenientes de instituições de ensino estrangeiras. A então presidente Leuda Dávalos argumentou que essa recomendação estava em conformidade com a legislação vigente e tinha como objetivo proteger a população de práticas médicas não regulamentadas.
Com a nova legislação agora em vigor, será fundamental acompanhar como o CRM-AC irá se posicionar diante dessa situação e quais medidas serão tomadas para garantir que os estudantes que realizarem seus estágios cumpram as normas e padrões exigidos pelo órgão regulador. A expectativa é que essa mudança proporcione um avanço significativo na formação médica e na oferta de serviços de saúde no Acre.
Desafios e Expectativas Futuras
Enquanto aguardamos a regulamentação da nova lei, a expectativa é que este passo positivo possa ajudar a suprir a demanda crescente por médicos no estado. A integração de estudantes de medicina com formação no exterior à rede pública promete, de um lado, enriquecer a experiência prática desses futuros profissionais e, de outro, potencialmente melhorar a qualidade do atendimento à saúde na região.
Entretanto, a implementação dessa lei deve ser acompanhada de perto, visando garantir que todas as etapas do processo respeitem as normativas legais e éticas para que se atinja o objetivo de aprimorar a saúde pública no Acre.
