Boletim InfoGripe Aponta Crescimento de Influenza A
Os casos de influenza A estão apresentando um aumento significativo em diversas regiões do Brasil, conforme o mais recente Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicado nesta quarta-feira (1º). A análise indica que a maioria dos estados nas regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste estão em níveis de alerta, risco ou alto risco para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com uma tendência de crescimento constante.
Esse cenário é alarmante, já que a maior parte dos casos está relacionada à influenza A, ao vírus sincicial respiratório (VSR) e ao rinovírus — todos agentes que podem evoluir para complicações graves e até óbitos. A pesquisadora responsável pelo boletim, Tatiana Portella, enfatiza a vacinação como a principal estratégia de prevenção. “É essencial que grupos prioritários, como idosos, crianças, pessoas com comorbidades e profissionais da saúde e educação, estejam com suas vacinas em dia”, afirma em nota.
Campanha de Vacinação Contra a Gripe em Curso
A campanha de vacinação contra a gripe já está em andamento nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, com a meta de aumentar a cobertura vacinal antes do pico de contaminação no inverno. Coordenada pelo Ministério da Saúde, a ação se estenderá até 30 de maio. A vacina oferecida pelo SUS protege contra os principais vírus em circulação, incluindo as variantes da influenza A (H1N1 e H3N2) e influenza B.
Devem se dirigir às Unidades Básicas de Saúde (UBS) crianças de 6 meses a menos de 6 anos, gestantes e idosos com 60 anos ou mais. Além desses, a campanha abrange outros grupos considerados vulneráveis, como puérperas, trabalhadores da saúde e da educação, povos indígenas e quilombolas, entre outros.
Situação dos Casos de Influenza A nos Estados
O levantamento revelou que alguns estados, como Pará, Ceará e Pernambuco, já apresentam sinais de redução nos casos de influenza A. Contudo, a situação permanece preocupante em várias partes do Nordeste, incluindo Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia, assim como em todos os estados do Sudeste. Aumento também foi observado em estados do Norte, como Amapá e Rondônia, e do Centro-Oeste, incluindo Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
A alta de casos de SRAG associadas ao VSR continua a ser um desafio em estados do Norte (Acre, Amazonas, Pará e Rondônia), Nordeste (Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia) e Centro-Oeste (Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal). No Sudeste, há indícios de crescimento em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.
Os casos de rinovírus também estão em ascensão, com destaque para estados do Norte e Nordeste, além de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo no Sudeste. Por outro lado, há sinais de estabilização em estados do Centro-Oeste e Sul, além de Maranhão, Ceará, Pernambuco, Sergipe e São Paulo.
Orientações para a População
Tatiana Portella recomenda que indivíduos que residem em áreas com alta incidência de SRAG adotem medidas preventivas, como o uso de máscaras em ambientes fechados e aglomerados. “Manter uma boa higiene, incluindo a lavagem frequente das mãos, é crucial. Caso apresentem sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é permanecer em isolamento”, aconselha.
Prevalência dos Vírus
Nos últimos quatro períodos epidemiológicos, a distribuição dos vírus em casos positivos de SRAG foi a seguinte: 27,4% de influenza A, 1,5% de influenza B, 17,7% de VSR, 45,3% de rinovírus e 7,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Quanto aos óbitos, a presença dos mesmos vírus foi: 36,9% de influenza A, 2,5% de influenza B, 5,9% de VSR, 30% de rinovírus e 25,6% de Sars-CoV-2.
As informações contidas no boletim são baseadas nos dados do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe, atualizados até 28 de março, e referem-se à Semana Epidemiológica (SE) 12. Para mais detalhes, consulte as fontes oficiais.
