Transformação Digital na educação
A escola de tempo integral Pedro Martinello, localizada no bairro Montanhês em Rio Branco, é um exemplo claro de como a inclusão digital se tornou uma prioridade fundamental para o governo do Acre. Com um mural repleto de mensagens motivacionais na entrada, a instituição demonstra o comprometimento de professores e alunos com as atividades escolares diárias. Nesse ambiente, pela primeira vez, os estudantes estão tendo acesso a tablets doados pelo governo estadual e aulas de informática que os introduzem a uma nova era de aprendizado. Essa conectividade digital vem se integrando ao currículo do ensino médio, oferecendo aos alunos uma experiência completamente diferente da que tinham anteriormente.
O projeto, fruto da colaboração entre a Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) e diversas outras pastas do governo, resultou em uma iniciativa inovadora: todas as escolas da zona urbana de Rio Branco agora contam com 100% do sinal de internet financiado com recursos próprios do estado. Antes, o governo federal arcava com uma parte significativa dos custos, o que frequentemente tornava o processo de acesso à internet moroso e burocrático, atrasando a oferta de internet nas escolas públicas.
Crescimento Exponencial da Conectividade
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A evolução da conectividade nas escolas estaduais do Acre é notável e, segundo dados do Departamento de tecnologia da Informação, é vista como um avanço irreversível. Em 2019, apenas 42% das 185 escolas urbanas de Rio Branco tinham acesso à internet. Agora, em 2026, esse número chegou a 100%. Em relação às escolas rurais, o percentual de conectividade subiu de 18,4% para 69,4% no mesmo período. Além disso, 57% das 141 escolas indígenas possuem conexão à internet, um aumento significativo se comparado aos apenas 9% em 2019.
Outro ponto importante é a ampliação da conectividade nos polos da Universidade Aberta, que teve sua taxa de acesso dobrada nos últimos sete anos, passando de 50% para 100%. Para os alunos da escola Pedro Martinello, como descreve o professor de Biologia, Paulo Wendell Pinto da Costa, muitos deles começaram do zero em termos de conhecimento digital. “É impressionante que alguns estudantes não sabiam o que era um mouse ou como usar o teclado de um computador”, relembra o educador, destacando a importância de integrar a educação digital ao currículo regular.
Desenvolvendo Habilidades Digitais
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Recentemente, o professor Paulo ajudou alunas do 3º ano a se cadastrarem na plataforma do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), demonstrando a relevância do suporte educacional na formação dos alunos. “Sem a internet e os computadores da escola, nossa vida digital seria muito mais complicada”, afirma a estudante Thais Palheta, ressaltando como a inclusão digital tem feito a diferença em sua jornada acadêmica.
Outro exemplo inspirador é o da aluna Natacha Araújo, de 17 anos, que, apesar de ser mãe e ter que trazer a filha pequena para as aulas, não deixou de lado seu interesse em aprender informática. Natacha compartilha que, até pouco tempo atrás, não tinha contato com a tecnologia, mas agora, com a ajuda dos professores, está se adaptando e aprendendo a usar as ferramentas digitais.
Acessibilidade para Todos
A gestora da escola, Gercinei Barros de Souza, enfatiza que a instituição se esforça para incluir todos os estudantes no aprendizado digital, independentemente da situação financeira. “Muitos alunos não têm acesso a celulares, e a escola fornece os tablets, garantindo que todos possam aprender a manusear editores de texto e utilizar recursos educacionais online”, afirma. Estudantes como Raylisson Adrian Costa de Castro, que sonha em cursar marketing digital, e Mariana Gabrielly de Lima Rego, que quer ser advogada, veem a inclusão digital como uma oportunidade que muda suas vidas.
Investimentos em Conectividade
O governo está investindo cerca de R$ 1 milhão em internet banda larga para a educação, com a meta de atender todas as escolas até o fim do ano. Até agora, R$ 350 mil foram destinados às escolas urbanas de Rio Branco, e o total poderá chegar a R$ 950 mil até 2026, beneficiando também instituições da zona rural e do interior do estado. José Carlos Neto, chefe do Departamento de Tecnologia da Informação, assegura que a qualidade da internet é excelente, com fibra ótica e alta velocidade, que vai beneficiar ainda mais os centros de atividades voltados para estudantes com habilidades especiais.
