O Setor Hoteleiro se Reinventa
Em 2025, os hotéis do Brasil estão se reestruturando, revisando processos operacionais e rotinas de gestão de facilities. Essa transformação é parte das estratégias para assegurar uma prestação de serviços mais consistente e alinhada às novas exigências regulatórias. De acordo com estudos realizados por entidades do setor, essa mudança não é apenas uma tendência, mas uma necessidade vital para a sobrevivência e competitividade das operações hoteleiras.
Um relatório recente, intitulado Panorama da Hotelaria Brasileira 2025, produzido pela HotelInvest em parceria com o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), revela que uma parte significativa dos investimentos alocados pelo setor nos anos de 2024 e 2025 está sendo direcionada à modernização e atualização de ativos existentes. O enfoque principal se dá na eficiência operacional e no reposicionamento das propriedades, o que promete impactar positivamente a experiência dos hóspedes.
Experiência do Hóspede em Foco
A experiência do cliente em hotéis já não se restringe apenas ao atendimento direto. A consistência no serviço e a confiabilidade operacional passaram a ser elementos cruciais na avaliação das estadias. Um exemplo dessa nova abordagem é a criação da primeira lista brasileira do Guia Michelin que implementou um sistema de Chaves, similar às estrelas entregues a restaurantes. Essa seleção reconheceu 20 hotéis em todo o Brasil, avaliando critérios como arquitetura, design, qualidade e consistência do serviço, entre outros.
Entre os estabelecimentos destacados, figuras renomadas como o Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, e o Palácio Tangará, em São Paulo, receberam duas Chaves. Hotéis de redes prestigiadas como Fasano, Emiliano e Carmel também foram mencionados, cada um recebendo uma Chave. O que todos esses hotéis têm em comum é uma gestão de facilities atenta e a incorporação de tecnologia operacional em sua rotina.
Ana Busquet, Head de Customer Success da Infraspeak, especializada em gestão de facilities, ressalta a importância dessa integração. “A tecnologia proporciona uma visão mais estruturada das operações, garantindo que manutenção, limpeza, governança e atendimento atuem de maneira coesa”, afirma. Nove dos 20 hotéis listados fazem uso dos sistemas da Infraspeak para auxiliar na gestão eficiente de serviços.
Decisões Operacionais Impulsionadas por Tecnologia
Os dados do Panorama indicam que a hotelaria brasileira está notando uma relação mais estreita entre as reclamações dos hóspedes e falhas operacionais. Questões como climatização, manutenção predial e limpeza agora são observadas com mais rigor, evidenciando que os hóspedes estão menos tolerantes a problemas, mesmo quando o atendimento pessoal é bem avaliado.
Após a retomada do turismo, a necessidade de inovação se tornou ainda mais premente. Especialistas recomendam a ampliação do uso de tecnologias operacionais para monitorar rotinas e ativos. Ferramentas como checklists digitais, análises de dados e monitoramento em tempo real têm se mostrado essenciais para a manutenção da qualidade dos serviços. Camilo Torre, diretor-geral da CiTO Hospitality Solutions, destaca que os hotéis podem agora integrar desde sensores de presença até sistemas de Internet das Coisas, possibilitando a manutenção inteligente e análise de dados em tempo real, o que resulta em redução de custos e aumento na eficiência operacional.
Novas Diretrizes e Padronização no Setor
A implementação da Portaria nº 28/2025, do Ministério do Turismo, reforçou a necessidade de processos claros e rastreáveis, especialmente em serviços mínimos, arrumação e deveres de informação ao hóspede. Com o Cadastur apresentando um crescimento de 8,2% em 2025, a formalização de meios de hospedagem expandiu ainda mais a necessidade de documentação organizada.
Os especialistas indicam que as práticas antes adotadas por grandes hotéis tendem a se disseminar por toda a cadeia hoteleira. Para 2026, as expectativas giram em torno da padronização de processos, do uso intensivo de tecnologia e de uma integração aprimorada entre equipes, moldando o futuro das operações no setor hoteleiro brasileiro.
