Desafios da Saúde no Alto Acre
A recente controvérsia em torno da proposta de terceirização do Hospital Regional do Alto Acre, localizado em Brasiléia, reacendeu um debate que transcende o modelo de gestão a ser adotado. No cerne da discussão está a incapacidade histórica da unidade em atingir o padrão que se esperava desde sua inauguração parcial, ocorrida em 2018.
Idealizado como um dos principais projetos da gestão do então governador Tião Viana, do PT, o hospital recebeu, conforme informações da mídia estatal, um investimento superior a R$ 80 milhões em infraestrutura e equipamentos. Inicialmente, foi apresentado como um símbolo de modernização da saúde pública no interior do estado, com a missão de descentralizar atendimentos de média e alta complexidade, diminuindo a dependência da capital.
A proposta visava transformar a unidade em uma referência regional, capaz de atender mais de 100 mil pessoas oriundas dos municípios de Brasiléia, Epitaciolândia, Xapuri e Assis Brasil, e também absorver a demanda de cidades bolivianas e peruanas da região de fronteira, cujos habitantes frequentemente buscam serviços médicos no Acre. Além disso, a expectativa era de gerar economia aos cofres públicos, já que a unidade reduziria os deslocamentos constantes para Rio Branco e até mesmo para outros estados.
Realidade Distante do Ideal
Passados oito anos desde sua inauguração, no entanto, a realidade está longe do projeto original. Embora o hospital tenha sido inaugurado com grande pompa e festividades, ele enfrenta muitos problemas estruturais. A unidade convive, desde o início de suas operações, com falhas na estrutura física, escassez de equipamentos essenciais, limitações nas especialidades médicas disponíveis e uma demanda reprimida por atendimentos.
O hospital, que deveria aliviar a carga sobre a capital e oferecer soluções para a população da fronteira, opera abaixo da capacidade planejada. A promessa de um polo de média e alta complexidade nunca foi plenamente concretizada, resultando em deslocamentos frequentes para aqueles que necessitam de atendimento especializado.
A Discussão da Terceirização
Em meio a esse cenário, surge a discussão sobre a terceirização da gestão do hospital. Para alguns, a mudança de modelo pode ser uma tentativa de trazer eficiência a uma estrutura que não alcançou suas metas. Já para outros, o debate deve ir além, focalizando o fortalecimento da gestão pública por meio de investimentos e planejamento adequados.
Independentemente do caminho a ser escolhido, o ponto central permanece inalterado: o Hospital Regional do Alto Acre ainda não desempenhou o papel estratégico para o qual foi projetado. A discussão sobre sua gestão precisa ir além de aspectos administrativos, abordando a questão fundamental de como garantir que a população da fronteira tenha acesso a um atendimento de saúde digno, eficiente e resolutivo.
Uma Dívida Histórica com a População
Mais do que uma simples disputa que ganha contornos políticos em ano eleitoral, trata-se de uma dívida histórica com a população da região. O hospital surgiu como um símbolo de esperança para aqueles que, até então, desconheciam um atendimento de saúde condizente com o que o projeto se propôs a ser. O desafio, portanto, é transformar esse ideal em realidade, garantindo que o Hospital Regional do Alto Acre cumpra seu papel na prestação de serviços de saúde.
