Pressão por Melhorias na Saúde Pública
Depois de quase três anos de obras inacabadas, a população de Feijó, no Acre, se mobiliza para exigir a conclusão da reforma do hospital local, que se arrasta desde agosto de 2023. Nesta terça-feira (3), representantes dos moradores se reuniram com deputados da Comissão de Saúde Pública e Assistência Social da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) para discutir a situação crítica do atendimento à saúde no município.
A primeira etapa da reforma do Hospital de Feijó deveria ser concluída em maio de 2025. No entanto, a atual empresa responsável pelo projeto só começou a trabalhar na obra após a rescisão do contrato com a primeira contratada, em 2022. O prefeito de Feijó, Railson Ferreira, e alguns vereadores também participaram da reunião, evidenciando a preocupação coletiva em melhorar as condições de saúde da população.
O clamor dos moradores ganhou força após um protesto que bloqueou a BR-364 por três dias, cobrando melhores serviços de saúde e pressionando o governo pela finalização do hospital. O bloqueio da via foi encerrado na tarde de 22 de fevereiro, mas o sentimento de indignação permanece entre os moradores, que relatam a necessidade de buscar atendimento em cidades vizinhas em decorrência da situação precária do hospital local.
Atrasos e Expectativas de Conclusão
De acordo com a Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop), a entrega do primeiro bloco do hospital está prevista para 30 de abril. Essa informação foi um dos pontos discutidos durante a reunião com os moradores. Além disso, foi acordada a realização de uma audiência pública na Câmara Municipal para a entrega oficial da obra.
A reforma contou com um investimento superior a R$ 5 milhões. O secretário de Obras Públicas, Ítalo Lopes, informou que parte dos atrasos na entrega do hospital se deve à dificuldade na aquisição de dutos e equipamentos de ventilação, que precisam ser importados. “A gestão da saúde começará a retornar ao prédio até o final de março para reorganização interna. Nossa expectativa é que o primeiro bloco esteja disponível para a população até o final de abril”, afirmou Lopes.
Denúncias de Negligência Médica
Além da demora nas obras, os moradores levantaram graves acusações de negligência médica no hospital. Casos recentes chamaram a atenção, como o de Maria Daiane Souza da Silva, de 25 anos, que faleceu após uma cesárea. A família dela denunciou o hospital por falta de atendimento adequado e negligência na assistência. Outro caso envolveu a morte de Diogo Silva Albuquerque, de 12 anos, que faleceu devido a complicações de saúde que, segundo a família, poderiam ter sido evitadas.
Essas situações levantaram preocupações sobre a qualidade do atendimento à saúde local, levando o Ministério Público do Acre (MP-AC) a investigar as circunstâncias das mortes e a recusa em realizar procedimentos médicos, como o aborto em uma gestante com feto anencéfalo. O MP-AC está apurando o caso para verificar se houve falhas na assistência prestada pelo hospital.
A Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) informou que está garantindo a assistência médica durante as obras, com atendimentos realizados em um hospital provisório. No entanto, a insatisfação da população evidencia a urgência de melhorias no sistema de saúde pública de Feijó.
Compromisso com a Conclusão das Obras
O secretário Ítalo Lopes também ressaltou que a reforma do hospital será concluída em etapas e que o objetivo é evitar que a obra fique indefinidamente sem conclusão. “Trabalhamos para finalizar essa fase e reorganizar a estrutura do hospital em funcionamento. Não é viável deixar a obra parada”, concluiu Lopes. A expectativa é que, com a entrega do primeiro bloco, os atendimentos possam ser normalizados, aliviando a pressão sobre os serviços de saúde da região.
